Familiares e amigos se despedem do ativista Rosalvo Alexandre
Para os companheiros políticos, perde-se um guerreiro
Cotidiano 13/07/2015 12h15

Por Fernanda Araujo

Muita comoção dos familiares e amigos, esta foi a cena da despedida do pai, marido, filho, irmão e colega Rosalvo Alexandre, falecido aos 64 anos, vítima de complicações de uma doença degenerativa que atingiu o seu sistema nervoso central. Ao som do grito de guerra dos comunistas “Rosalvo Alexandre, presidente!”, os colegas de militância deram seu adeus. Sobre o caixão, a bandeira do PMDB, partido que ajudou a formar em Sergipe e pelo qual foi eleito vereador em Aracaju entre 89 e 93.

O cemitério Colina da Saúde, no bairro Jabutiana, na capital sergipana, ficou lotado para a despedida do ativista político de esquerda de Sergipe, na manhã desta segunda-feira (13). Bocão, como era conhecido popularmente, estava em Belo Horizonte, quando passou mal, teve falta de ar e veio a falecer. Para os companheiros políticos, perde-se um grande amigo e um guerreiro, que lutou ativamente por Sergipe e pela democratização do Brasil.

O governador em exercício, Belivaldo Chagas (PSB), relembra alguns momentos de convivência. “Era um cidadão que participava do dia-a-dia do governo, das 

campanhas, ele opinava, dava conselho, dava puxão de orelha, dava grito, estava sempre presente. Eu aprendi a conviver com Rosalvo mais de perto na campanha de Déda, quando eu fui candidato a vice-governador. Ele era aquela figura presente nas campanhas. Na última eleição de governador, eu ao lado de Jackson Barreto, ele mesmo doente fazia questão de estar presente, participar de reuniões, opinar, ficava de longe observando e chamando a atenção do que ele achava que estava dando errado. Na grande maioria a gente acatava a opinião dele porque gente via que estava certo, esteve na nossa posse. Ele morre aos 69 anos deixando filhos e amigos, e nos resta, portanto, esperar que Deus o receba de braços abertos”.

O também colega de militância, o ex-vereador Chico Buchinho (PT), afirma que Rosalvo dedicou a vida a lutar pela democracia e, além disso, foi essencial para auxiliar as campanhas eleitorais e os governos, após o período da ditadura militar.

“Eu cito Gama na prefeitura, Edvaldo Nogueira, Marcelo Déda na prefeitura e no governo, Jackson Barreto na prefeitura e no governo. Ele era uma

 pessoa astuta, inteligente, previa as coisas que iriam acontecer e discutia, bolava estratégias, era até locutor nos carros de som, e dava todo o sangue e alma para as campanhas. Sempre se dedicou também a sua família. Se eu estivesse iniciando agora na política, eu teria Rosalvo como um ícone. Temos até obrigação de resgatar a história de sua vida e relatar para as futuras gerações”, diz.

“Eu tive a oportunidade de trabalhar com Rosalvo na Câmara de Vereadores de Aracaju nos anos 90; nós dois chegamos a ser presos políticos e torturados na revolução de 64. Eu não podia faltar a esse encontro com meu amigo, o político Rosalvo Alexandre. Estou aqui para prestar essa homenagem a ele”, disse Isac Freire de Aragão, ex-vereador.

Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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