Famílias são despejadas de ocupação em Malhador (SE)
Cotidiano 30/10/2017 10h06 - Atualizado em 30/10/2017 16h58Por Saullo Hipolito*
Desde a manhã desta segunda-feira (30), cerca de 40 famílias que ocupam o conjunto João Alves de Araújo, em Malhador (SE), estão sendo despejadas de suas casas. A preocupação da comunidade é ficar sem amparo do poder público, com relação à moradia, visto que há 60 crianças no local e uma é deficiente física.
Segundo a dirigente do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu), Jack Correa, anteriormente os moradores procuraram a prefeitura para realizar o cadastro do grupo, entretanto foram surpreendidos com a liminar de desocupação. “Até o momento não foi dado nenhum suporte às famílias, ficamos só na promessa. O único horizonte que temos é de sair, ninguém se importa com a população, para onde iremos e como iremos”, disse.
A Defensoria Pública do Estado, por meio dos defensores públicos do Núcleo de Direitos Humanos, Sérgio Barreto Morais e Eric Martins, orienta a comunidade e acompanha toda a ação para garantir os direitos e a integridade física das pessoas. Além disso, existem tentativas de processo de conciliação, o que até o momento foi negado pela juíza da vara do distrito de Malhador.
“Não houve tempo de criar uma estratégia, fomos pegos de surpresa com essa liminar, estamos aqui, pois queremos garantir o zelo pela dignidade das pessoas. Já solicitamos audiências de conciliação, todas negadas pela juíza. Nossa maior preocupação é saber para onde essas pessoas irão, como poderão se alimentar, entre outras coisas”, afirmou o defensor público Sérgio Barreto, coordenador do Núcleo de Direitos Humanos.
O caso
Há 18 meses a obra está parada. Com isso, o local se tornou ponto de venda e uso de drogas, prostituição, trazendo diversos incômodos para a vizinhança. As famílias passaram a organizar atos e buscar o governo municipal para chamar atenção para a situação de ausência de moradias. Sem resposta, segundo eles, as famílias decidiram ocupar o conjunto.
Segundo informações obtidas por F5 News, a ocupação foi realizada em 13 de maio deste ano, em virtude do completo abandono dos imóveis. A prefeitura, então, ajuizou ação de reintegração de posse. O pedido foi deferido pela juíza da Vara do distrito de Malhador. A decisão da juíza ordenou a reintegração de posse mediante força policial com o prazo de 30 dias, que se encerra na próxima sexta-feira, dia 3 de novembro.
Conciliação
Dois pedidos foram realizados para que acontecesse audiência de conciliação, ambos foram negados pela juíza. De acordo com Sérgio Barreto Morais, cabe à Defensoria recorrer da decisão.
A assessoria da comunicação do Município disse que já existe um cadastro de 40 famílias beneficiadas com essas casas. Afirma ainda que o local foi invadido antes mesmo da obra ficar pronta e conclui que a prefeitura fez o cadastro das famílias que ocupam o conjunto para ver de que forma podem ser ajudadas.
* Estagiário sob supervisão da jornalista Fernanda Araujo
Foto: Divulgação/Motu

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos
