Famílias são obrigadas a desocupar terra após ordem judicial
Proprietário procurou a Justiça, depois de tentar acordo sem sucesso
Cotidiano 14/11/2014 10h56

Por Elisângela Valença

Esta sexta-feira (14) é de apreensão e tristeza para 217 famílias que moram na Cabrita, na cidade de São Cristóvão, Grande Aracaju. A reintegração de posse da área que elas ocupam foi deferida pela Justiça sergipana, e a primeira casa começou a ser derrubada por volta das 8h30.

A ocupação começou em 1991, segundo os moradores, e a batalha judicial começou em 1997. “Nas idas e vindas de recursos, a decisão saiu em definitivo pela reintegração de posse”, contou o oficial de Justiça, Cleriston Alves de Oliveira.

A Polícia Militar de Sergipe (PMSE) montou uma operação com 180 homens de diversas companhias. “Nem todos estão aqui, só virão se houver necessidade”, disse o comandante de Policiamento da Capital, coronel Jackson Nascimento. Com relação ao tamanho da operação montada para remover famílias, ele explicou que este aparato se faz necessário para evitar exaltação de ânimos.

O Governo do Estado esteve presente com a Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Cidadania (Sedhuc) e a Prefeitura de São Cristóvão, através da Secretaria de Ação Social, além de órgãos como o Conselho Tutelar e a Defensoria Pública de Sergipe, estão acompanhando os trabalhos.

Apesar das lágrimas e reclamações, o processo de reintegração foi iniciado. “É um absurdo. Têm famílias aqui que tiveram filhos e netos e a Justiça autoriza essa calamidade”, comentou com indignação Lívia Gal, advogada das famílias.

O senhor Jadiel Santos é representante da comunidade e disse que foi o primeiro morador do local. Ele conta que foi levado ao local pelo dono do terreno, João Bosco da Silva Teles, informação que o F5 News não confirmou com o proprietário.

“Eu estava de serviço numa oficina e comecei a conversar com um senhor, explicando que não tinha onde morar, que estava na oficina porque precisava de dinheiro para minha família, mas gostava mesmo era de trabalhar na roça”, disse Jadiel. “Seu Bosco me trouxe até aqui e disse que do riacho em diante, não fizéssemos nada porque ele ia negociar a área, mas para cá, poderíamos nos instalar e nos deu estaca, arame, prego, tudo o necessário para nossa instalação”, contou.

Segundo familiares, João Bosco, um idoso de mais de 80 anos de idade, está com a pressão alta e preocupado com a situação. Eles informam que Bosco tentou negociar com as famílias, oferecendo um espaço menor, mas eles recusaram. As famílias foram construindo afastadas umas das outras e acabaram ocupando todo o terreno. Seguindo recomendação médica, João Bosco está evitando falar com a imprensa.

A Prefeitura de São Cristóvão vai levar as famílias para um galpão para então encaminhá-las a programas sociais. “Nós vamos entrar com uma ação contra a prefeitura, pois estas famílias não são coisas para ficarem em galpões. A Prefeitura de São Cristóvão terá que dar auxílio-moradia”, disse o defensor público Alfredo Nikolaus.

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