Feirantes da rodoviária criticam transferência para Mercado de Aracaju
Cotidiano 04/10/2017 13h00 - Atualizado em 04/10/2017 13h43Por Fernanda Araujo
Feirantes do Terminal Rodoviário Luiz Garcia, mais conhecido como "rodoviária velha", em Aracaju (SE), serão retirados do local e levados de volta para o Mercado Municipal Albano Franco, no Bairro Industrial. Muitos já haviam sido transferidos para o centro da cidade no ano passado e agora devem sair, segundo a prefeitura, para reorganizar a área e devolver mobilidade à cidade.
Mais de 180 pessoas trabalham na área e começaram a ser cadastrados pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) na semana passada.
Mas os feirantes não ficaram contentes com a notícia. Para Gilda dos Santos Brito, que está há dois anos no local, a mudança vai causar prejuízos às vendas. Ela acredita que só deverá ter retorno de lucro após três meses, o que vai afetar sua renda.
“Esse tempo é para ver se vale a pena, então vai prejudicar muito. Toda mudança prejudica, as pessoas aqui já estão acostumadas a fazer feira nesse local, teremos que recomeçar tudo de novo. Sem contar que todos os comerciantes aqui foram afetados pela crise. Não vejo essa feira atrapalhar nada”, lamenta Gilda.
Em frente à antiga Fundação Parreiras Horta, os comerciantes relatam que a rua não tem fluxo de veículos, o que facilita a permanência, e reclamam que, se forem para o Mercado, devem ficar na parte superior e, com isso, acreditam que serão prejudicados já que os consumidores vão preferir comprar no térreo.
“Ninguém vai deixar de comprar uma mercadoria embaixo para subir aquela rampa. As pessoas já fazem a feira aqui porque tem frutas novas todos os dias. Soubemos que a saída vai ser no dia 23; se for, vamos morrer de fome. Todos aqui são pais de família e pagam os impostos. Ninguém vai querer impedir, mas queremos uma posição, não estamos atrapalhando ninguém”, afirma Ronaldo dos Santos, feirante há 30 anos.
“Embaixo no mercado já está ruim, imagine em cima. Se for pra mudar de lugar, vou pedir esmola. Já havíamos saído do mercado porque não deu para todos e ficamos pela rua. Isso vai virar uma guerra no meio da feira porque no mercado não tem como vender. Essa mudança vai sair cara”, completa o vendedor Paulo dos Santos.
Edicássio dos Santos, feirante há 20 anos e comerciante da área há cinco, também não concorda. “Para as vendas o local é ruim porque o acesso é dificultado. As pessoas vão preferir virar ambulantes com carrinhos pelas ruas como era antes. No mercado vai aumentar a concorrência e cair o movimento”, diz.
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Segundo a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), a retirada da feira na antiga estação rodoviária faz parte do projeto que deve reorganizar o Centro, mas a data ainda vai ser definida. De acordo com a assessoria da autarquia, a feira é clandestina e ocupa parte de uma avenida, reduzindo o fluxo em pelo menos 50%.
“É importante devolver a mobilidade para a cidade. Aquela feira não é cadastrada pela Emsurb, que faça parte do nosso calendário, que os feirantes tenham o nosso controle e organização, está funcionando a semana inteira concorrendo com os mercados. Além disso, existe um projeto do governo do Estado que é a reforma daquela área e que também prevê a retirada de todos os demais que estão por ali”, afirma o assessor Augusto Aranha.
A Emsurb nega ainda que os feirantes sejam realocados na parte superior do mercado, onde se localiza o comércio de produtos importados. “Se forem para o mercado ficarão juntos com os demais produtos, não vai ficar separado. Hortifruti, carnes, pescados, cada coisa no seu lugar. Sobre definir se a rua é morta ou não, esse é o papel da prefeitura e não do feirante”, conclui o assessor.
Fotos: Fernanda Araujo

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