“Fraternidade e Tráfico de Pessoas” é tema da Campanha da Fraternidade
Cotidiano 06/03/2014 12h02

Por Fernanda Araujo

A Arquidiocese de Aracaju apresentou na manhã desta quinta-feira (06) o novo tema para a Campanha da Fraternidade de 2014. Com o tema “Fraternidade e Tráfico de Pessoas” e o lema “É para a Liberdade que Cristo nos libertou”, escrito no livro bíblico de Gálatas (5.1), a igreja do Brasil se une com o propósito de coibir o crime contra a dignidade humana, o tráfico de pessoas. As campanhas da fraternidade são sempre iniciadas no período da Quaresma que segue até o domingo de ramos, quando haverá coleta de doações em dinheiro pelos fiéis. Segundo os padres, o dinheiro é destinado a ações proativas no combate ao crime, e durante todo o ano, a campanha continua no sentido de abrir discussões e parcerias. Tudo acompanhado pela direção da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A campanha foi lançada hoje, mas sábado às 16h30 haverá uma missa na Catedral localizada na praça Olímpio Campos, marcando o lançamento com celebração.

“A Quaresma é um tempo de busca dos cristãos crescerem espiritualmente. Na Quaresma os cristãos fazem isso com oração, penitência e caridade fraterna. No âmbito da caridade a igreja no Brasil há muitas décadas, desde 1964, desenvolve uma ação que exprime o cuidado fraterno dos cristãos com grupos vulneráveis da nossa sociedade. Isso se faz com a Campanha da Fraternidade, que visa conscientizar, fazer com que os cristãos rezem sobre determinado tema e visa fazer com que a sociedade tome consciência de determinado problema e assim discuta procurando soluções”, disse o bispo auxiliar, Dom Henrique Soares da Costa (ao lado)

Segundo o bispo a proporão em que está o tráfico de pessoas se espanta. Dom Henrique afirma que no mundo são 2 milhões e 500 mil pessoas traficadas por ano sobretudo para Portugal, França, Holanda, Espanha, Áustria. Um crime organizado que circula 32 bilhões de dólares. Dados do Ministério da Justiça aponta que é o terceiro crime mais rentável, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. “Cristo veio para nos salvar e nos libertar, de modo que tudo aquilo que humilha e denigre a imagem humana é contra o desígnio do criador”, diz.  

O tema deste ano foi definido em abril do ano passado na Assembleia dos Bispos e promete mobilizar vários órgãos e movimentos sociais. “As campanhas passaram por fases mais internas e depois se abriram para temas mais sociais e agora com foco mais na questão humana existencial. A justiça e a igreja consideram um crime vergonhoso. Essa campanha quer sensibilizar a partir da igreja, mas não ficar apenas na igreja, sensibilizar toda a sociedade e trazer a tona esse assunto que a igreja já vem trabalhando há alguns anos”, afirma o assessor das campanhas da Arquidiocese, José Carlos.

Sensibilização, prevenção, denúncia e reinserção das pessoas traficadas são os objetivos da igreja, que pretende fazer parcerias com Ministério Público Estadual, Federal, OAB, ONGs, todos os órgãos do Ministério da Justiça, e demais movimentos interessados em coibir esse crime. O disque 100 ainda é a principal arma de combate. “O crime de tráfico humano precisa ser enfrentado com articulação. As vítimas muitas vezes são atraídas por mudança de vida, não ganham nada e não conseguem mais sair, quando sofrem chantagens e retenção de documentos”, explica José Carlos.

De acordo com o padre José Genivaldo Garcia (ao lado), assessor das pastorais sociais, o tráfico de pessoas, além de ser uma violação aos direitos humanos, tem como propósitos a exploração da indústria do sexo; a servidão doméstica; o trabalho escravo; e a venda de órgãos. Entre os grupos vulneráveis estão, as mulheres, adolescentes, crianças, desempregados e jovens em busca de trabalho. O perfil das pessoas que praticam o tráfico pode estar dentro da própria casa. “A igreja pretende socializar informações através da imprensa, das redes sociais, realizar ações educativas de prevenção, intensificar políticas públicas para a juventude e mulheres, articular e integrar ações de apoio e assistência às vítimas e fazer parcerias com órgãos governamentais e não governamentais. A campanha não é só para a igreja católica, ela transcende o catolicismo”, afirma.

“A igreja ainda é a instituição que tem maior capilaridade em nossa sociedade, chegamos a cada povoado do Brasil. Durante o ano vai se falar desse assunto. Certamente nos ambientes onde há vulneráveis e mais carentes de informação. As pessoas traficadas são exatamente recrutadas do interior, na mata. Esse é um grande serviço que a igreja pode prestar”, acredita bispo Dom Henrique.

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