Fraude PM: comandante descarta desvio em mais de R$ 1 milhão
Cotidiano 02/02/2018 14h00 - Atualizado em 02/02/2018 16h02

Por F5 News

A polêmica sobre denúncias de suposta fraude no abastecimento de viaturas da  Polícia Militar de Sergipe repercutiu nesta sexta-feira (2) em entrevista coletiva concedida pelo comandante geral da PM, coronel Marcony Cabral, que negou envolvimento e colocou o cargo à disposição.

O comandante decidiu se pronunciar após a divulgação de uma investigação a respeito de denúncias sobre desvio de combustíveis da frota militar. A apuração teria sido iniciada pelo coronel Bené Gravatá, na época corregedor da PM e responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM). Até o momento, um sargento e uma frentista foram indiciados.

Cabral também foi citado pelo coronel Gravatá, que levantou suspeitas sobre a dimensão da fraude descoberta, a respeito da conduta do comandante Marcony Cabral em relação ao caso e que, segundo ele, teria contado ainda com a participação de parentes do comandante que fazem parte da corporação. Na coletiva, no entanto, o comandante preferiu não comentar  o assunto e disse que a questão está sendo tratada com o seu advogado, e buscará a reparação legal cabível.

Segundo o comandante, a investigação sobre o suposto esquema não começou com o coronel Gravatá, mas sim em 2016, um ano antes, com a Polícia Civil à frente do caso, através do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Nessa época, quem comandava o Cope era João Eloy, atual secretário da Segurança Pública.

Marcony Cabral disse que somente em 23 de maio do ano passado o coronel Gravatá assumiu a Corregedoria da PM e deu  andamento às investigações que já estavam em curso. E em 10 de setembro, a apuração interna da PM chegou ao fim com o indiciamento de um sargento citado por uma frentista de um posto de combustíveis.

“É precipitado da nossa parte dizer se ele (sargento) fez ou deixou de fazer, qual a participação real, porque isso está sob investigação, inclusive sob sigilo de justiça, e o Ministério Público acompanha isso desde novembro”, disse, acrescentando ainda que Gravatá permaneceu 63 dias sem tomar uma decisão sobre o caso, após a conclusão do inquérito -  “63 dias após, ele foi à Polícia Militar e apresentou documento em que pede algumas medidas investigativas, inclusive em caráter sigiloso”, completou.

Segundo a SSP, a PM gasta R$ 540 mil nos combustíveis dos carros da polícia, o sistema de cartão é utilizado para o abastecimento, o que estaria sendo usado para a fraude. O comandante descarta a suspeita de desvio em mais de R$ 1 milhão.

“Foi um problema pontual na área do 5º Batalhão e não se refere a toda a corporação e eu falo nos fatos que chegaram ao meu conhecimento, nessa formatação. Se aparecerem outros indícios que levem a isso, certamente não foi durante a nossa gestão porque conseguimos ajustar a questão de gastos de combustíveis porque vivemos numa crise financeira. Conseguir desviar R$ 1 milhão sem que ninguém percebesse seria realmente de extrema dificuldade”, disse.

À TV Sergipe, o coronel Gravatá, que está afastado, respondeu que não demorou para tomar decisão após a conclusão do inquérito, que encaminhou a investigação dentro dos prazos legais, mas que houve demora no encaminhamento ao Comando, que seria de responsabilidade de uma tenente da PM. Sobre a reclamação do comandante que se sentiu ofendido em sua honra, Gravatá afirmou que vai aguardar receber intimação oficialmente da Justiça para que possa se defender.

Foto: SSP

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