Fundação Hospitalar deve traçar plano de segurança para hospitais
Na semana passada, médico foi agredido por pai de paciente no Huse
Cotidiano 23/02/2015 15h45

Por Fernanda Araujo

A falta de segurança nos hospitais de Sergipe tem deixado tanto profissionais como pacientes apreensivos. Um médico do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) pediu demissão após ter sido agredido pelo pai de um paciente na última sexta-feira (20). Segundo o diretor clínico do hospital, Marcos Kruger, o homem entrou no hospital com uma criança no colo pedindo socorro. A criança foi acolhida, o homem foi orientado a sair da sala do cirurgião e a fazer a ficha na recepção, mas se recusou. Mesmo sendo atendido, na saída do hospital ele agrediu o médico que havia prestado o socorro.

A situação foi discutida em audiência pública, nesta segunda-feira (23), no Ministério Público Estadual. Segundo o promotor do Centro de Apoio Operacional e Direito à Saúde, Nilzir Vieira, esses problemas têm sido discutidos desde janeiro do ano passado - com essa, é a quarta audiência - e até agora nada foi resolvido. “A falta de segurança é uma realidade no Huse e de todos os hospitais do estado. Há uma constante reclamação. O problema se agrava. Temos duas questões fundamentais: a segurança de pessoas e a segurança estrutural”, disse.

Os profissionais de saúde reclamam que a empresa que presta o serviço de segurança do Huse foi apenas contratada para a segurança patrimonial, ou seja, não há revista e nem controle de entrada de pacientes e acompanhantes. “Os profissi

onais se sentem vulneráveis e isso, de certa forma, impacta na própria qualidade do serviço”, afirma o promotor. A estrutura também é um problema. O maior hospital público do estado, bem como demais hospitais regionais, não possuem o projeto obrigatório de segurança contra incêndio e pânico.

Em relação ao Huse, uma ação judicial já havia sido movida. O Judiciário foi favorável ao MP em 2013, em antecipação de tutela, e numa sentença dada em julho de 2014 foi determinado que a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) elaborasse e implementasse um plano de segurança de pessoas para o hospital em 30 dias, o que não foi feito. “Vimos que muito pouco evoluiu. Demos um prazo final de 15 dias para que a FHS traga um cronograma específico das intervenções nos hospitais. Caso não traga, no caso do Huse, vamos adotar medidas visando o cumprimento dessa decisão”.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do estado (Sintasa), Augusto Couto (foto acima), a audiência foi improdutiva, já que a FHS ainda não apresento

u solução, muito menos o projeto sobre segurança. “Enquanto isso, servidores estão abandonados, a mercê de vândalos, pessoas estão agredindo servidores dentro de hospitais regionais e roubando os servidores. O sindicato não vai ficar calado, tivemos audiência com o secretário da SSP, Mendonça Prado, iremos ainda tentar conversar com o presidente da FHS, e se não houver nenhuma providência iremos começar a paralisar as atividades, até que, de fato, a Fundação assuma a sua responsabilidade com os servidores”.

Conforme a coordenadora da diretoria operacional da FHS, Iza Prado (ao lado), a atual diretoria irá rever o contrato com a empresa que presta serviço de segurança do Huse. Ela também disse haver entendimento entre a Secretaria de Estado da Saúde e outros órgãos para melhorar a segurança nos hospitais. “Está sendo visto também o plano de combate a incêndio e pânico, todos os hospitais tem Cipa - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes -, a FHS tem o Sesmit, com certeza os técnicos estão trabalhando em relação a isso e vamos apresentar ao MP no prazo estabelecido”.

A Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar foram convocadas, mas não estiveram presentes. Segundo a assessoria de comunicação da SSP, não há como confirmar, no momento, se foi notificada. De acordo com o promotor Nilzir Vieira, um representante da PM se desentendeu na recepção. “Nós temos um gabinete de segurança institucional que regulamenta a entrada de pessoas; a informação que nós tivemos aqui é que veio um representante da polícia, mas se recusou a deixar a arma cautelada e foi embora. Seria fundamental a presença da polícia militar nesse procedimento, mas a falta de um representante não inviabiliza a tomada de medidas. Nós já tivemos reunião com a polícia, tomamos medidas com o aval dela, mas o papel principal para a resolução dos problemas é da Fundação Hospitalar”, concluiu. 

Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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