Governo já cortou 60% dos recursos previstos para UFS este ano
Técnicos e professores continuam em greve e dizem que falta diálogo
Cotidiano 21/09/2015 16h11

Por Will Rodrigues e Fernanda Araujo

Assim como as demais instituições federais de ensino superior do Brasil, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) sofreu um corte de 50% nos repasses do Governo para o capital e de 10% para custeio previstos para este ano. A redução dos recursos é um dos motivos para a manutenção da greve dos servidores técnico-administrativos e professores, que completa 120 dias nesta semana.

Em entrevista-coletiva nesta segunda-feira (21), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da Universidade Federal de Sergipe (Sintufs), Lucas Gama, disse que o contingenciamento de recursos promovido pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) em todo o país já ultrapassa os R$ 16 bilhões, comprometendo o funcionamento das universidades.

“As condições que provocaram a greve não melhoraram, mas se agravaram. O Governo continuou com a política de corte de recursos. Em Sergipe, haverá dificuldade para continuar obras que estavam em andamento, para contratar novos trabalhadores, na compra de passagens e pagamento de diárias para pesquisadores e professores que vêm realizar atividades aqui, além do pagamento de despesas ordinárias como água e energia”, destacou Lucas, acrescentando ainda os prejuízos aos novos campi instalados no interior do estado. “Eles ficarão sem a infraestrutura necessária por um bom tempo, pois a aquisição de equipamentos e a montagem de laboratórios ficam inviabilizadas”.

Segundo o presidente do Sintufs, falta também diálogo por parte da reitoria da UFS. “Vários reitores de outras universidades tiveram o respeito à sociedade de deixar a situação transparente, mas o reitor da UFS não apresentou a situação real da universidade, apenas emitiu um documento muito genérico, por isso, pedimos que ele venha a público e esclareça a real situação”, declarou Lucas Gama.

Em conversa com o F5 News, a assessora de Comunicação da UFS, Carolina Amancio, disse que a reitoria tem mantido o diálogo com as categorias que estão em greve e até mesmo com a comunidade acadêmica. Ela confirmou o corte nos recursos repassados pelo MEC, mas disse que a UFS possui outras fontes de renda, como emendas parlamentares da bancada federal de Sergipe no Congresso Nacional e, por isso, a reitoria tem buscado gerir os recursos de modo a reduzir os impactos dos cortes. No momento, a UFS descarta a possibilidade de descontinuidade do serviço. A reitoria também enviou uma nota, confira:

“A UFS reconhece o direito de greve dos servidores ao tempo em que acredita no diálogo como forma de avançar na qualidade da educação pública, que é o compromisso maior da instituição. Dessa forma, a gestão da UFS tem discutido com técnicos, docentes e estudantes a pauta local de reivindicações, já que este tem sido o posicionamento desta administração desde o início do seu mandato. Os debates francos com o Comando Local de Greve resultaram em inúmeros avanços, dentre os quais podem ser enumerados a implantação, em caráter experimental, da flexibilização da jornada de trabalho para os servidores técnico-administrativos, a discussão sobre a estatuinte universitária, o compromisso com a reformulação do calendário acadêmico após o fim da greve. No entanto, a maior parte das reivindicações da categoria são demandas nacionais e fogem da alçada da Reitoria, sendo, portanto, negociadas com o Poder Executivo Federal. Sobre os cortes no orçamento anunciados, a queda da arrecadação do Governo Federal impôs um corte orçamentário de 10% do custeio e 50% de capital das Instituições Federais de Ensino Superior em relação à PLOA 2015 (Proposta de Lei Orçamentária Anual). No caso da UFS, todos os contratos de apoio técnico serão preservados. Possíveis ajustes, se houver, incidirão sobre os contratos que foram aditivados ao longo do tempo. O corte de 50% na rubrica de capital no orçamento 2015 da UFS, apresentada pelo MEC, implicará, de fato, em menor índice de execução física de obras, porém não irá comprometer o andamento das obras existentes, desde que os limites de empenho sejam liberados. A gestão da UFS reafirma, por fim, o seu foco na qualidade de vida no ambiente de trabalho e o seu respeito aos servidores, aos estudantes e à sociedade”. 

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