“Governo não tem nenhuma política educacional”
Professor filiado ao Sintese responde à versão do Governo Déda Cotidiano 31/12/2012 12h00Por Fernanda Araujo
Também não ficou sem resposta a matéria do governo do Estado contra a avaliação dos professores em 2,1 para a gestão de Marcelo Déda (PT) sobre a política educacional. Na opinião do professor Roberto Silva, do Departamento de Assuntos da Base Estadual do Sintese, a matéria não respeita a disposição que o sindicato tem dado para discutir propostas de educação com o governo.
Em contraponto à alegação do governo segundo a qual o Sintese “nunca deu sua contribuição em questões outras que não fossem as salariais”, o professor Roberto rebate. “Desde o secretário José Fernandes ao de agora, Belivaldo Chagas, correntemente nos colocamos à disposição para discutir avaliação, currículo, formação continuada dos professores, gestão democrática. O governo que nunca quis participar. Evidentemente que a pauta econômica é uma das pautas do movimento sindical, é a valorização salarial, isso não é um pecado. A luta do piso este ano nos tomou o ano inteiro praticamente porque o governo não pagou o piso esse ano, isso acabou tomando uma boa parte da pauta de reivindicações”, relata.
Na matéria, o governo do Estado também afirma que o Sintese jamais ofereceu uma proposta pedagógica para ser avaliada pela Secretaria de Estado da Educação. Em contrapartida, Roberto lembra, entre outras, a nova proposta de educação aprovada no XIV Congresso dos Professores em novembro de 2012, a qual será apresentada ao governo ainda em janeiro de 2013.
“Essa proposta foi feita a partir do momento que o governo não quis sentar para discutir de forma coletiva com o sindicato a avaliação, currículo, formação, tempo integral, ensino profissionalizante etc. Nós entendemos que é para garantir uma qualidade na educação, de fato”, salienta.
A matéria coloca ainda que o sindicato não permite a avaliação dos professores, agindo também de forma anti-democrática quando ataca diretamente a pessoa física do governador. A avaliação do governo, segundo a matéria, seria uma consultoria para identificar o desempenho dos professores, mas o Sintese rejeitou. O Sintese, por sua vez, diz não concordar com o Índice Guia, criado pelo governo, por ser uma proposta de controle e punição contra os professores. O sindicato entende que a avaliação serve para identificar os problemas, corrigi-los, identificar as qualidades existentes nas escolas e potencializá-las.
“O Índice Guia não quer saber disso, quer punir e controlar os professores. Não concordamos com esse método. Em nossa proposta está prevista essa avaliação. Essa história dos professores quererem desgastar o governo não é nossa intenção, a prova final nós realizamos há oito anos. Não só no governo de Sergipe, como nos 74 municípios. A avaliação tem a finalidade do gestor perceber que precisa melhorar a relação com os educadores. Somos nós que estamos na sala de aula vivendo o dia a dia das políticas públicas educacionais. Não é para queimar ninguém, é para o professor avaliar. O Sintese está colocando o que está previsto na Legislação Educacional”.
Sobre os 2,1, professor Roberto resume: – O governo na verdade está tentando dizer que a nota foi 2,1 porque não pagou o piso, mas não foi só por isso, o governo não tem nenhuma política educacional. Não posso negar que houve valorização salarial do governo Déda até 2011, mas em 2012 ele não cumpriu a Legislação, e a política pedagógica é um horror. Encontramos isso à medida que o professor avalia. Esperamos que com a nova gestão melhore a situação dos professores. Só o tempo dirá.
Foto: arquivo F5 News/ Fernanda Araujo
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