Grupos feministas organizam ações para este sábado, no bairro América
Cotidiano 08/03/2014 07h00

Uma data para reivindicar direitos e lembrar da histórica luta das mulheres pela libertação em todo o mundo: o 8 de março, apesar de ter sido desvirtuado como um dia de presentes e consumo, ainda persiste como um dia de luta. Este ano, os movimentos sociais e feministas prometem ocupar as ruas contra os constantes atos de violência contra a mulher – estupros, assassinatos e violência doméstica, entre outros -, e as retiradas de direitos das trabalhadoras.

Este ano, a Praça da Liberdade, no bairro América, será o sonoro palco das atividades em alusão ao 8 de março. Organizadas por diversos grupos e movimentos feministas de Sergipe, as ações deste ano trazem a saúde da mulher como ponto principal e urgente de discussão nas ruas. A luta pelo parto humanizado e contra a violência obstétrica, a garantia de contraceptivos e informações adequadas às usuárias do SUS e de atendimento médico e humanizado à mulher em vias de abortamento são as bandeiras que devem ser levantadas durante as atividades que serão realizadas neste sábado, a partir das 15h. 

Pela saúde e contra a violência

A violência contra a mulher no Brasil tem se tornado uma novela cada vez mais indigesta. De acordo com a pesquisa Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil, coordenada pela técnica de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Leila Posenato Garcia, entre 2009 e 2011, o Brasil registrou 16,9 mil feminicídios, ou seja, “mortes de mulheres por conflito de gênero”, especialmente em casos de agressão perpetrada por parceiros íntimos. Esse número indica uma taxa de 5,8 casos para cada grupo de 100 mil mulheres. Ainda de acordo com o levantamento, a região com as piores taxas é o Nordeste, que apresentou 6,9 casos a cada 100 mil mulheres, no período analisado.

Mas não é apenas a violência doméstica que atinge a mulher brasileira. A violência obstétrica também é grave e, ao partir dos órgãos e profissionais de saúde que deveriam assisti-la, configura como violência institucional. A apropriação do corpo e dos direitos reprodutivos da mulher de maneira violenta ocorre através do tratamento desumano, abuso da medicalização e patologização dos processos naturais, causando a perda da autonomia e da capacidade das mulheres de decidirem livremente sobre seus próprios corpos, sua sexualidade e processos reprodutivos, como parto e aborto. 

Para que a realidade da violência obstétrica mude, é necessário compreendê-la, o que só se faz possível com atendimento médico e humanizado e campanhas informativas adequadas para uma vida plena e saudável. Além disso, toda ação de violência obstétrica deve ser denunciada, para assegurar que os casos sejam acolhidos, apurados e julgados. É devido à quantidade de mulheres mortas e lesadas em salas de parto ou de aborto clandestino que a pauta se faz urgente neste 8 de março.

Programação

A programação terá início às 15h e conta com oficina de penteado afro, poesia, intervenções culturais, exibição de filmes, uma grande roda de conversa sobre trabalho e saúde da mulher e ciranda para as crianças. Todas as ações serão realizadas na sugestiva Praça da Liberdade.

As atividades são organizadas em conjunto pelo Coletivo de Mulheres de Aracaju, Coletivo Ana Montenegro, a Diretoria da Mulher do Sindicato dos Engenheiros, as mulheres do Movimento Não Pago e do Sarau Debaixo, o Coletivo Parto Ativo, o Studio Rasta e a organização da Marcha das Vadias.

Fonte e Foto: Ascom

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