Henri Clay: vamos unificar advocacia e resgatar a essência da OAB/SE
Novo presidente diz que Ordem deve voltar a defender a sociedade
Cotidiano 28/11/2015 18h00

Por Will Rodrigues

Eleito com 44,9% dos votos, o advogado Henri Clay Andrade assumirá a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Sergipe (OAB/SE) com o desafio de “resgatar a essência da entidade”. Em entrevista ao F5 News neste sábado (28), o novo presidente da Ordem falou de algumas metas a serem buscadas durante sua gestão e garantiu que vai trabalhar para defender os interesses de toda a classe e da sociedade.

O novo presidente espera contar com a experiência de seus outros dois mandatos à frente da OAB/SE, mas reconhece que é preciso traçar novos rumos para que a Ordem volte a ter um protagonismo social, pois, na sua ótica, a advocacia sergipana e toda a sociedade passam por um momento difícil. “Temos que modernizar a gestão da OAB e firmar uma aliança com o povo. Estamos no Século 21 e as demandas são maiores. Precisamos resgatar a essência da Ordem que sempre foi combativa e com uma forte defesa das prerrogativas dos advogados. A OAB/SE ficou muito retraída das causas sociais, mas ao longo do tempo ela se legitimou como uma instituição que fala para e pela sociedade, sem se meter em interesses de partes, mas de uma categoria – a advocacia - e da coletividade”, aponta Henri Clay.

Andrade citou como exemplo o recente fechamento de nove fóruns em cidades do interior sergipano. Ele critica a postura da OAB/SE diante da decisão do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE) e defende a manutenção destes distritos judiciais. “Até hoje a OAB está calada, mas ela precisa se manifestar, combater essa extinção, pois contraria o princípio da justiça social. Quem tiver suas demandas judiciais vai ter que se deslocar para a cidade mais próxima. O Poder Judiciário sergipano é reconhecido no Brasil como mais presente e próximo do povo exatamente porque estava em todos os municípios, esta extinção significa um retrocesso social”, argumenta.

Pela primeira vez nos 80 anos da OAB/SE uma chapa de oposição vence a eleição para Mesa Diretora. Todavia, há menos de um ano o grupo liderado por Henri Clay fazia parte do agrupamento do atual presidente Carlos Augusto Monteiro. O rompimento, segundo o presidente eleito, foi motivado por um desalinhamento de ideias quanto às concepções políticas da Ordem. “Os dissidentes não concordam com o modelo de gestão implementado nos últimos dois anos, que também não satisfaz à advocacia e as urnas demonstraram isso”, afirma Andrade.

Henri Clay ficará na presidência da Ordem sergipana pelos próximos três anos. Até 2018 ele espera, dentre outras coisas, unificar a classe e engajar mais mulheres nas causas. O novo presidente pretende formar uma entidade paritária.

“A começar pela nossa chapa que é paritária, com 40 homens e 40 mulheres. Queremos estimular a participação e o empoderamento das advogadas. Não basta igualdade de gênero, é preciso igualdade de participação, queremos quantidade com qualidade. Hoje, pelo voto da maioria dos advogados, sou presidente eleito de uma chapa, mas a partir de 1º de janeiro de 2016 tomarei posse como presidente de todos os advogados, portanto, meu primeiro gesto será a união da classe em torno de causas nobres, do resgate da dignidade da advocacia e pela defesa da sociedade, reestabelecer o respeito aos advogados e interagir com a sociedade, com firmeza e equilíbrio. Serei muito compromissado com todos os colegas que votaram ou não na nossa chapa”, promete Henri Clay.

O pleito deste ano foi um dos mais ferrenhos da história da Ordem, mas o novo presidente afirma que o clima acirrado será deixado de lado. Henri Clay agradece aos que lhe deram apoio e inclusive aos concorrentes. “A causa da advocacia e a OAB são muito maiores do que o calor eleitoral. Construímos uma proposta coletiva e democrática, por isso, agradeço profundamente aos colegas que confiaram em nossa chapa. Agradeço também aos meus adversários, Roseline Morais e Emanuel Cacho. Fizemos uma campanha honesta, respeitosa, sem precisar de baixaria, com a estatura que a advocacia merece”, conclui.

O pleito

Mais de 4.000 advogados votaram nesta sexta-feira (27), para eleger os conselheiros federais e os membros da diretoria e do conselho seccional da OAB/SE e também  elegeram a diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados.  Do total de advogados aptos a votar, cerca de 80% compareceram ao pleito. A chapa de Henri Clay foi eleita com 44,9% dos votos. A chapa de Rose Morais totalizou 42,57% e a chapa de Emanuel Cacho teve 9,4% dos votos. Os votos nulos e brancos somaram 3.13%.

Na avaliação do presidente da Comissão Eleitoral, Sidney Amaral, o envolvimento da sociedade nas eleições da Ordem reafirmou o papel vital da entidade para todo Sergipe. “Essas foram eleições especiais e muito competitivas, que demandaram da Comissão Eleitoral muito mais empenho e compromisso. Causa-me grande felicidade perceber a maneira como a mídia sergipana teve interesse nas eleições da Ordem. Essa é a síntese de uma instituição democrática, essencial não só para os advogados, mas também para a sociedade”, disse.

Foto 1: reprodução facebook

Foto 2: arquivo F5 News

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