HUSE fica superlotado com vítimas de acidentes no trânsito
Cotidiano 30/12/2014 20h00

Da Redação

Durante o final do ano, com festas, feriados e férias, a movimentação de veículos aumenta consideravelmente nas rodovias. Assim, as ocorrências de acidentes de trânsito se tornam constantes, e os dados do sistema de informação hospitalar do Huse, o Hospub, comprovam isso. De 2013 para 2014, o percentual de pacientes internados vítimas de acidente de trânsito subiu de 42% para 58%. Entre esses acidentes, o tipo que mais cresceu foi o que envolve motonetas. Nesses casos, o aumento chegou ao patamar absurdo de 346,67%, seguido pelos acidentes de carro (21,17%), os acidentes com motos (26,20% de aumento), e de atropelamentos (19,69%).

Uma das vítimas que se encaixam nessa estatística é o estudante Wagner Vitor dos Santos, 31 anos, morador do município de Nossa Senhora do Socorro. Na noite da última quinta-feira (25),  quando retornava para casa de uma festa com os amigos, perdeu o controle da moto e acabou caindo e sofrendo varias escoriações pelo corpo. Mesmo utilizando o capacete, equipamento indispensável para motoqueiros, o rosto do jovem ficou bastante machucado.

Algumas horas antes, na quarta-feira (24), o lavrador José de Jesus, 55, caiu da moto que pilotava no Povoado Mangue Grande, em Boquim. A velocidade teria causado o acidente. "Não tinha bebido, estava indo para casa, mas não vou mentir que estava correndo um pouco. Como a estrada era de terra, acabei derrapando em um quebra mola e caí em uma cerca de arame farpado. Agora estou aqui com essa fratura na perna", relata o lavrador que sofreu uma fratura de tíbia (maior osso da perna).

A imprudência e a violência no trânsito impactam diretamente na rede hospitalar do Estado. Uma ultrapassagem indevida, o uso de bebidas alcoólicas associado à direção, o excesso de velocidade refletem diretamente na superlotação dos hospitais e na sobrecarga dos profissionais de saúde. Como as vítimas de acidentes de trânsito geralmente passam mais tempo internadas, são mais leitos ocupados por um período maior.

"Essa situação de epidemia de acidentes tem modificado a arquitetura hospitalar. Antes a quantidade de leitos cirúrgicos era a mesma dos leitos para as demais especialidades. Hoje, no Huse, temos 258 leitos cirúrgicos e 168 para as demais especialidades, ou seja, 90 leitos cirúrgicos a mais. Além disso, a priorização para internamento, inclusive na UTI, também vem sendo modificada. A prioridade, que antes era daquele paciente que estava no pronto-socorro, passou a ser do paciente pós-operado no Centro Cirúrgico, pois se não for feito isso o Centro Cirúrgico fica superlotado, sem vaga para novas cirurgias, gerando colapso do sistema de urgência. O mesmo modelo vem sendo adotado pelas unidades particulares em relação aos leitos intensivos que antes eram para prioridade única e atualmente tem um quantitativo reservado especificamente para pacientes em pós-operatório", relata Márcia Guimarães, coordenadora da Atenção Hospitalar de Urgência e Emergência da Secretaria de Estado da Saúde.

Para acelerar a realização de cirurgias ortopédicas, sem comprometer os demais procedimentos realizados no Centro Cirúrgico do Huse, a exemplo das cirurgias neurológicas e vasculares, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) vem adotando uma estratégia em parceria com Hospital Cirurgia.

"Mantivemos contato com a direção do Hospital que, neste período, reduz significativamente a utilização das salas cirúrgicas e encaminhamos equipe cirúrgica de ortopedistas com anestesista da rede FHS para realizar esses procedimentos no Hospital Cirurgia, reduzindo o tempo de espera dos pacientes que aguardam a cirurgia no Huse, liberando as salas para outros procedimentos", afirma a secretária de Estado da Saúde, Joélia Silva Santos.

 "Além disso, estamos avaliando a contratação de cirurgias ortopédicas extras para zerar a espera por procedimentos cirúrgicos ortopédicos, sejam cirurgias de urgência ou de segundo tempo, que são aquelas cirurgias realizadas posteriormente as primeiras, a exemplo de retirada de pino ou placas internas", complementa a secretária.

Projeto Vida no Trânsito

Além do sofrimento específico dos ferimentos, das próprias sequelas, com a necessidade de reabilitação a longo prazo ou o óbito, os acidentes de trânsito causam impacto na família, no trabalho e na economia do país como um todo, uma vez que são os homens no auge da sua produção laboral quem mais estão envolvidos em acidentes, quer sejam como vítimas ou autores destes.

A partir dessa realidade, a Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe vem apoiando o Projeto Vida no Trânsito, do Ministério da Saúde.

 "O Projeto Vida no Trânsito, em 2014, veio com a prerrogativa de ser desenvolvido inicialmente no município de Aracaju, com apoio institucional da SES e cuja projeção para 2015 é de alinhamento dos bancos de dados dos setores diretamente envolvidos no atendimento do acidente: segurança pública, saúde, trânsito - quando surgirão planos de ação baseados em evidências para além da relação do acidente de trânsito com o excesso de velocidade e de álcool", detalha Patrícia Lima, técnica da área de vigilância e prevenção de violências e acidentes de trânsito da Secretaria de Estado da Saúde.

 "Para este ano desenvolvemos ações de educação e saúde junto aos motoristas dando um destaque para "Não perca nem o São João e nem a Copa - Dirija com responsabilidade" que foi desenvolvida no período dos festejos juninos e Copa do Mundo e que ampliamos para além do território de Aracaju, alcançando os demais municípios sergipanos prioritários para este momento. Assim como participamos da pesquisa nacional do Viva Inquérito, ocorrida durante 30 dias entre os meses de outubro e novembro, cuja finalidade é identificar e traçar o perfil epidemiológico das diversas naturezas de acidentes por causas externas e dentre estes os acidentes de trânsito", conclui a técnica.

*Com informações da SEES

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