Infectologista alerta para cuidados contra a leptospirose
Sergipe já registrou 19 casos e uma morte decorrente da doença este ano Cotidiano 05/09/2019 09h48 - Atualizado em 05/09/2019 11h28A leptospirose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria, presente em quase todo o mundo. Segundo o infectologista da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Marco Aurélio, o rato de esgoto (Rattus novergicus) é o principal responsável pela infecção humana, em razão de existir em grande número e da proximidade com seres humanos, estimando-se que 60% deles têm a bactéria na urina. A presença de chuvas proporciona o aumento do contato entre a urina desses roedores contamina e o homem. Quando não tem chuva essa urina seca e as bactérias são rapidamente destruídas, diminuindo a chance transmissão.
Ele lembra, ainda, não haver vacina contra a leptospirose, doença potencialmente grave, mas que tem tratamento e seus danos podem ser reversíveis se for tratada oportunamente. Neste ano, até o momento, a SES registrou 19 casos, 18 curas e um óbito. Em 2018, neste mesmo período, foram 23 ocorrências, 20 curas e três óbitos. Já em 2017, foram 33 casos, 27 curas e seis óbitos.
A forma de prevenção é tentar evitar o contato, que às vezes pode ser inesperado quando se tem uma enchente (nas áreas onde isso ocorre é onde se registra o maior número de casos). O infectologista atenta para outras formas de transmissão, destacando a recreativa e a ocupacional.
“Com essas pequenas chuvas os campinhos de futebol, principalmente em áreas de periferia, ficam alagados e as crianças e adolescentes costumam brincar nesses locais. Esse contato também é potencialmente perigoso, tanto quanto a outra maneira de contágio, que é a ocupacional”, disse, explicando que esta ocorre a partir das pequenas enchentes que levam água contaminada para dentro das casas e estabelecimentos. Marco Aurélio orienta também para esta situação o uso de equipamentos de proteção, como botas e luvas impermeáveis durante a limpeza do imóvel, assim como no contato com água de esgoto e córregos.Há, ainda, a transmissão indireta, que se dá por alimentos. O médico recomenda que, se o alimento entrou em contato direto com a água de enchente deve ser descartado. Não adianta apenas lavar a superfície porque o produto pode ter sofrido contaminação. Marco Aurélio informou que, quando a bactéria (leptospira) penetra no organismo pode dar inicialmente um quadro semelhante a uma “virose comum”, com febre alta, dor de cabeça, dor nos olhos, além de uma característica importante é dor nas panturrilhas.
“Ela pode evoluir afetando o fígado, provocando icterícia que deixa a mucosa amarelada e a pele alaranjada. Afeta principalmente os rins, levando a uma insuficiência renal. Nesse caso, às vezes, o paciente precisa ser submetido a diálise. O quadro pode ser reversível se for tratada a tempo”, disse, acrescentando que a leptospirose pode causar importantes sangramentos pulmonares e, com isso, às vezes levando a morte”, observou.
Marco Aurélio afirmou que, por ser uma doença grave, a SES trabalha sempre com o profissional de saúde, através da diretoria de Epidemiologia, para este ficar em alerta, principalmente para esse período pós-chuva.
“Além dos quadros de viroses que temos comumente nessa época, como dengue e outras arboviroses, também temos a leptospirose, que precisa de um cuidado diferenciado, do antibiótico específico, de hidratação e do monitoramento. Mas é uma doença que tem cura, que pode ser tratada e que a gente pode diminuir bastante os casos de óbitos quando diagnosticada oportunamente”, enfatizou.
Orienta Marco Aurélio que a pessoa que procura o serviço de saúde deve sempre relatar tudo que aconteceu no período anterior ao surgimento dos sintomas, da mesma forma que o profissional deve estar alerta para perguntar todas as possíveis exposições a que esteve sujeita aquele paciente. Assim, ele pode direcionar o seu raciocínio clínico para qual quadro combina mais com aquela sintomatologia.
Fonte: Assessoria de Imprensa

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