Interdição deixa Nestor Piva vazia e com pacientes sem atendimento
Cotidiano 26/02/2014 12h01Por Fernanda Araujo
Na noite de ontem (25), o Ministério Público de Sergipe, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-SE) e o Conselho Regional de Medicina (CRM) realizaram uma visita surpresa nas Unidades de Pronto Antedimento (UPA) Fernando Franco, na zona Sul de Aracaju, e Nestor Piva, zona Norte. A visita resultou na interdição da unidade Nestor Piva, segundo eles, devido à ausência de condições de trabalho, comunicada na porta.
A interdição ética caracteriza que os médicos só podem atender a pacientes já internados. No entanto, isso gerou grandes transtornos aos pacientes que chegavam. Thiago Oliveira Nascimento, de 27 anos, estava passando mal e com dores no estômago. O jornalista Renato Nogueira (ao lado), que estava na unidade, disse a F5 News que o jovem caiu desmaiado em frente à unidade. Com ajuda de dois pacientes, o levou para dentro da unidade, quando recebeu informação que não poderia ser atendido.
“Eu liguei para o Samu, o médico, que não se identificou, perguntou se o rapaz havia comido e quantos anos tinha. O médico, por sua vez, disse que isso não seria caso de enviar o Samu, pois pela idade dele não era problema cardíaco. Questiondo se iria deixá-lo naquela situação, o médico desligou na minha cara. Liguei para a Secretaria Municipal de Saúde que disse não poder fazer nada. Liguei para a do Estado e informaram que enviariam uma viatura do Samu”.
Desconsolado, o paciente Antonio Luiz, 55 anos (abaixo), estava com dores no estômago há dois dias e, segundo ele, ninguém resolvia nada. “Não estão atendendo ninguém, acho que vou morrer aqui mesmo”. O mesmo aconteceu a Ana Alice Vital d
e Santos (abaixo) que disse ter sido picada por um escorpião. “Fui para o posto do Lamarão, mas disseram que não tem médico e não tem injeção; vim para cá e está fechado, vou ficar envenenada, com a perna doente e gelando”, disse ela, que minutos depois decidiu ir a uma farmácia.O corregedor do CRM, Hider Aragão, foi questionado pelo F5 News sobre a situação dos pacientes. Ele explica que a intervenção impõe a presença do médico no local para atender a pacientes já sob cuidados, sendo impedido de atender a quem chega. Segundo ele, a direção da unidade é a responsável por orientar e fazer a transferência do paciente para outra unidade. “A interdição continua por tempo indeterminado e haverá nova fiscalização a 15 dias. Porém, se a Prefeitura nos mostrar que está tudo em ordem, a equipe vai lá e suspende a interdição. Uma reunião deve ser marcada em breve com os conselhos e com o MPE”, disse.
Porém, segundo a assessora Cristina Rochadel, da Secretaria Municipal de Saúde, não pode haver transferência de paciente que não foi atendido. “O Samu, que é estadual, não quis atender dizendo que o serviço é de responsabilidade do Município, mas nós não possuímos ambulância e não pode haver transferência se os médicos não o atenderam. O próprio paciente da mesma forma que chegou deve ser encaminhado para outro local”.O problema
A interdição do Nestor Piva, segundo relatos do Conselho, se deveu ao fato de o corpo clínico da unidade conter número de médicos insuficiente - o ideal seria de cinco, mas em algumas escalas de plantões chegavam a ter apenas dois e até nenhum. No relatório consta ainda a falta de remédios para pressão alta e antibióticos, além de luvas, fi
os de sutura (utilizados para dar pontos em cortes profundos na pele) e Ultrassom, Raio X e Eletrocardiograma. “Um problema de muito tempo, mas não se resolvia, por isso tivemos que tomar uma atitude mais enérgica. Se a Prefeitura mostrar que houve mudanças, suspendemos”, disse Aragão.Além da possibilidade de ação ser ajuizada pelo MPE hoje, o resultado da visita vai gerar uma audiência de emergência na próxima sexta-feira (28), às 10h. A unidade Fernando Franco também recebeu visita e há risco de ser interditada devido aos mesmos problemas.
A assessora da secretaria disse que todas as providências estão sendo tomadas para que até sexta-feira a unidade possa ser reaberta. “Sobre o Fernando Franco, são problemas bem diferentes, como o Nestor Piva é de trauma, a exigência é muito maior. Mas, automaticamente, resolvendo no Nestor Piva será resolvido no Fernando Franco porque as necessidades são as mesmas e o objetivo é o melhor atendimento”.

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