Mãe de suposto envolvido em morte de ex-procurador do Estado desabafa
Advogado garante que não há provas do envolvimento do suspeito Cotidiano 08/10/2014 10h46Por Fernanda Araujo
As investigações continuam sobre a morte do procurador do Estado aposentado Antônio de Melo Araújo, 63 anos, atropelado no dia 6 de abril deste ano na avenida Melício Machado, em Aracaju (SE), enquanto fazia caminhada. O inquérito ainda não foi concluído, mas a delegada responsável pela investigação segue a linha de que o acidente foi criminoso. Ontem surgiram boatos de que um dos presos seria liberado. Segundo a delegada Daniela Barreto, não há novidades sobre o caso, muito menos se alguém será solto. “Se houver, a primeira pessoa a ser comunicada sou eu, mas ainda não chegou nenhuma informação desse tipo”, disse.
Na época foram presos, como suposta articuladora do crime, a viúva da vítima, Anoliza Santos Gama Melo de Araújo, e posteriormente os supostos participantes: Gabriel Ernesto Nogueira de Oliveira, Manoel Nogueira Neto (pai de Gabriel Ernesto), Gabriela Figueiredo Guedes (colega de trabalho de Anoilza e esposa de Gabriel) e Felipe Dias Gomes (genro de Anoilza). A viúva da vítima continua presa, bem como Gabriel e Manoel. Gabriela foi liberada uma semana depois da prisão. Já os dois jovens que teriam conduzido o carro que atropelou o procurador não foram encontrados. O processo segue sob sigilo.
O caso retomou à discussão porque essa semana termina o prazo da prisão temporária de Gabriel Ernesto, preso há 60 dias. A delegada, na época, havia pedido prisão preventiva, que foi negada pelo Judiciário e alterada para prisão temporária por 30 dias; ao final deste prazo, a delegada pediu mais 30 dias. Caso a delegada peça prisão preventiva novamente e o juiz não decrete, Gabriel será solto próximo sábado, dia 11. A mãe de Gabriel Ernesto, Luzinete Oliveira (foto), falou à equipe de reportagem do F5 News. Para Luzinete, o filho é inocente e todos que o conhecem sabem que ele seria incapaz de cometer qualquer mal a alguém. Ela apela à Justiça de Sergipe que apure o caso para provar a inocência do filho.
“Toda mãe conhece o seu filho, ninguém conhece uma pessoa melhor do que a mãe. Eu acompanhei meu filho, criei com todo o amor e dedicação. Ele é uma pessoa temente a Deus. Eu sempre acreditei que um cidadão é inocente até que algué
m prove o contrário. Mas, infelizmente nesse caso está acontecendo diferente. Meu filho não é culpado e eu tenho plena certeza disso”, garante. Ela lamenta ainda a angústia da família e do seu neto de cinco anos de idade. “Ele está tendo acompanhamento psicológico porque é muito apegado ao pai, não entende essa ausência. E a gente está rezando, pedindo a Deus que a verdade apareça para que nos tire dessa agonia”, afirmou.Para o advogado de Gabriel, Aurélio Belém (ao lado), não há quaisquer indícios que justifiquem a prisão temporária ou preventiva do acusado. Segundo ele, no Brasil vigora o princípio de que todos são inocentes até que se prove o contrário, mas nesse caso, no entanto, acontece o inverso. “O que levou Gabriel a estar preso é simplesmente o fato dele ser filho do senhor Manoel, revendedor de carros seminovos no interior do estado, e este carro utilizado no atropelamento do procurador teria passado pela mão dele. Chegando a vasculhar o veículo que foi abandonado próximo ao local do acidente encontrou-se duas contas pertencentes ao pai do Gabriel”.
De acordo com o advogado, ao comprar esse carro Manoel percebeu que era irregular e desfez a negociação. “Daí em diante ele não sabe dizer como o carro foi parar no acidente. N motivos e possibilidades poderiam ter acontecido, e a menos aplausível é essa linha de investigação”, acrescenta.
Aurélio Belém questiona se não havia razões ou provas robustas para a prisão preventiva do acusado a época, segundo o Judiciário, também não há necessidade agora, já que durante este período Gabriel esteve preso. Para ele, o suposto envolvido não causaria qualquer alteração nas investigações. “Não vai me causar surpresa se a delegada pedir a prisão preventiva, vai me causar surpresa se o Judiciário decretar. Até porque não houve qualquer fato novo que conduza à mudança de opinião. Estamos convictos de que o Judiciário manterá a sua linha e permitirá que Gabriel retorne ao convívio familiar”, argumenta.
Ainda de acordo com o advogado, Gabriel quer que a investigação continue, pois tem absoluta certeza de que o final da investigação conduzirá a sua inocência. “Não estamos diante de um processo penal, ainda estamos numa linha investigativa. Espero que o Judiciário possa corrigir os equívocos, separar o joio do trigo e conduzir um processo penal somente em face daqueles que tenham algum envolvimento concreto com a situação e não permitir que especulações tragam pessoas inocentes ao banco dos réus”, conclui.
Fotos: Fernanda Araujo

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