Maioria dos professores de Sergipe já presenciou violência nas escolas
Cotidiano 22/10/2017 10h30Por Will Rodriguez*
Apesar de chocantes, as histórias de violência dentro de ambientes de ensino estão cada dia mais comuns, sem que ao problema se contraponha a adoção de políticas em níveis nacional, estadual ou municipal.
Essa semana, um professor foi baleado na mão durante assalto praticado em uma escola do Município de Capela, no leste de Sergipe. Mais da metade dos professores e funcionários da rede pública de Sergipe (56%) já presenciaram algum tipo de violência nos estabelecimentos em que trabalham, de acordo com um levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Mesmo tratando-se de um problema que leva a danos físicos, em alguns casos, fatais, não são coletadas informações em âmbito nacional que mostrem o número efetivo de casos de agressão entre agentes da comunidade escolar. No entanto, não há dúvidas de que a situação está crítica.
“A gente imagina que a violência acontece só na relação entre professor e aluno, mas nós também somos agredidos física e psicologicamente pela família do estudante. As ameaças e discussões em tom agressivo são frequentes”, relata o diretor do Sindicato dos Professores (Sinpro) do Distrito Federal, Cláudio Antunes.
Violência entre alunos
Segundo o Inep, as brigas entre alunos são ainda mais recorrentes: 81% dos professores presenciaram esse tipo de situação dentro do ambiente de ensino em Sergipe.
A pesquisa mostra a cultura da violência enraizada no ambiente escolar, no entendimento da pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Bárbara Diniz. Ela destaca ainda que é preciso atenção quanto aos educadores, que igualmente praticam a violência contra os estudantes. “Não podemos esquecer que o adulto, que deveria ser o modelo, também é um agressor”, diz.
A pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Raquel Lazzari, concorda que a violência no âmbito escolar decorre de uma organização social debilitada. Segundo ela, vários aspectos do espaço onde as agressões se materializam, como a desconexão entre a escola e o estudante, colaboram.
“O aluno não vê sentido em estar ali. A escola não consegue esclarecer sua função social. Ainda tem o descaso dos profissionais da educação. De que maneira a escola está tratando esses jovens, que muitas vezes já vêm de ambientes violentos?”, questiona Raquel Lazzari.
Esforço Conjunto
A instituição educacional não consegue alterar a realidade violenta, mas pode minimizar os efeitos externos que levam à agressividade, defende Lazzari. Para a pesquisadora, é preciso vontade dos educadores, assim como estrutura física e valorização profissional. “Quando o aluno respeita ou gosta do professor, ele não agride. Ele agride quando ele não sente necessidade de respeito”, afirma.
Os laços afetivos entre professores e alunos são necessários para uma educação de qualidade, opina o diretor do Sinpro. Mas, muitas vezes, esse vínculo é comprometido por causa da superlotação das salas de aula.
“Os pais, muitas vezes, trabalham o dia inteiro. O convívio de referência dessas crianças e adolescentes é com os professores. Mas, é difícil dar atenção para 40 alunos ao mesmo tempo [número médio de estudantes por sala]. Aliado a isso, ainda temos uma quantidade insuficiente de orientadores para o número de alunos, que são os profissionais responsáveis pela intervenção pedagógica entre o estudante, a família e os professores. Isso tudo corrobora o quadro de violência na educação”, observa Antunes.
Segundo a estudiosa da Unesp, é preciso trabalhar em torno de questões éticas, valores, discutir violência com os alunos e com a comunidade. Outro ingrediente essencial é integrar os pais à esfera escolar. “Devemos mostrar aos alunos que, ao destruírem a escola, estão destruindo a própria chance de uma sociedade melhor”, aconselha Lazzari.
No mês de setembro, os membros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado aprovaram o PLS 469/2015, que agrava a pena para crimes praticados dentro ou nas imediações de escolas. Segundo o projeto, o juiz poderá aumentar a pena em até metade, se o crime for praticado em situação de tocaia nas imediações de residência, no interior de escola ou em raio de até cem metros de escola.
“Buscamos o maior desvalor da ação covarde que ofende a paz do lar e ainda evitar que crianças e adolescentes testemunhem ou sejam vítimas de crimes”, justifica o senador Raimundo Lira (PMDB-PB), autor da proposta. O PLS aguarda votação em Plenário.
*Com Agência Senado

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