Mais da metade da malha viária sergipana apresenta problemas, diz CNT
Cotidiano 05/11/2015 09h00Por Will Rodrigues
Pesquisa divulgada nessa quarta-feira (4) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que 56,7% dos cerca de 650 mil quilômetros de rodovias avaliadas apresentam algum tipo de deficiência em relação à pavimentação, sinalização ou geometria da via. O estudo classificou 17,2% das estradas federais e estaduais como péssimas; 15,8% foram consideradas ruins e 23,7% como regulares. Ainda segundo a análise, 38% das vias visitadas estavam em bom estado de conservação e apenas 5,3% ótimas, ou seja, apresentaram “condições adequadas de segurança e desempenho”.
O levantamento observou que 50,4% das rodovias estão com pavimentação adequada, o mesmo percentual tem uma boa estrutura de sinalização, mas a geometria das vias é o maior problema, apenas em 5,1% foi considerada ótima. “Um dos fatores que mais contribuem para as más condições das rodovias é a grande quantidade de rodovias simples de mão dupla. A falta de segunda via aumenta a ocorrência de acidentes”, disse o diretor executivo da CNT, Bruno Batista. Em Sergipe, isso ocorre em 85,7% das rodovias.
Com uma frota de 642,792 veículos, Sergipe possui 2.276 km de vias pavimentadas, dos quais 1.816 km estão sob a responsabilidade do Estado e 319 são federais. Segundo a pesquisa, só 0,8% das pistas é duplicada com canteiro central e em apenas 12,7% a pavimentação é adequada. Os buracos e remendos se estendem por 50,6% das estradas e 36% apresentam asfalto desgastado. Para o diretor da CNT, Vander Costa, no final, é a sociedade que acaba pagando pelo prejuízo. "A concessão talvez seja a saída mais viável”, completa.
F5 News já mostrou as condições precárias de algumas estradas no estado. Quem passa pelo km 94 da BR 101 no sentido Aracaju – São Cristóvão se depara com uma cratera aberta em junho do ano passado, cujas obras de recuperação só foram iniciadas no último dia 8 de setembro. A obra vai custar R$ 4,7 milhões e só deve terminar em fevereiro de 2016, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes em Sergipe (DNIT/SE).
Além disso, trafegar pelos trechos que estão sendo duplicados na BR 101 é uma tarefa que exige cautela e paciência. As obras de expansão da pista se arrastam há mais de 20 anos e a previsão do Dnit/SE é de que sejam concluídas em 2017. Atualmente, 129 km do total de 206 km de extensão da BR-101 no estado estão em duplicação, desses cerca de 60 km já foram concluídos. A consequência é a ocorrência de acidentes. De acordo com a PRF, ao longo do ano passado, Sergipe registrou 18,43 acidentes por milhão de veículos em circulação.
Brasil
No resto do país a situação não é diferente. De toda a malha visitada pela CNT, 6,3% estavam em péssimo estado, 16,1% foram considerados ruins e 34,9%, regulares. 42,7% da extensão rodoviária foram classificados como bom ou ótimo.
A deficiência das rodovias resultou em prejuízo tanto para os usuários quanto para o governo: “R$46,8 bilhões foram perdidos em 2014 devido às deficiências do pavimento. Só com acidentes rodoviários foram gastos R$12,3 bilhões. Se todas as rodovias fossem boas ou ótimas em 2015, teríamos também uma economia de 749 milhões de litros de óleo diesel, o que corresponde a R$ 2,1 bilhões. Isso fora os benefícios para o meio ambiente”, acrescentou Batista.
Segundo Costa, são necessários investimentos de R$ 300 bilhões para padronizar toda a malha rodoviária brasileira. “Há ainda [gastos com] as pensões por morte, invalides ou Sistema Único de Saúde. Tudo isso nos faz concluir que investir em rodovias vai trazer economia para os cofres da União”, disse o diretor da CNT.
Costa acrescenta que há, por parte da iniciativa privada nacional e estrangeira, interesse em investir no modal rodoviário. “O que falta é dar segurança ao capital que vem ao Brasil, com contratos de longo prazo”. A pesquisa foi feita em junho e julho de 2015 por 20 equipes da CNT.
*Com informações da Agência Brasil
Foto: Aline Aragão/Arquivo F5 News

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