Mais de 20 escolas foram arrombadas em Aracaju este ano
Número ultrapassa os registros em todo ano de 2015
Cotidiano 25/04/2016 10h54

Por Aline Aragão

Como se não bastassem os problemas que assolam a educação pública, alunos, professores e funcionário de escolas municipais de Aracaju (SE) precisam conviver com o medo e a insegurança, devido ao crescente número de assaltos e arrombamentos que têm acontecido nos estabelecimentos de ensino da capital sergipana.

Dados do Sindicato dos Profissionais do Ensino Municipal de Aracaju (Sindipema) apontam que de janeiro até agora 23 escolas foram alvos da violência, quando durante todo ano de 2015 foram registradas 15 ocorrências. Os arrombamentos são os mais frequentes, acontecem geralmente à noite ou nos finais de semana, mas, de acordo como presidente do sindicato, Adelmo Menezes, os marginais têm agido também durante o dia, em horário de funcionamento das escolas.

Segundo Adelmo, um dos fatores que contribuem é a falta de vigilância nas escolas. Ele também critica a ausência de um porteiro. “Desde 2014 a secretaria retirou os porteiros das escolas e desde então funcionários da secretaria precisam se revezar durante a entrada e saída de alunos, mas não temos com deixar um trabalhador o tempo todo em desvio de função, fazendo outro trabalho e deixando o seu por fazer”, disse.

Entre os relatos de assaltos, Adelmo citou duas escolas no Bairro Industrial e uma terceira no Bairro América, invadidas por marginais durante o expediente, quando foram levados celulares, dinheiro e outros pertences de professores e funcionários.

Arrombamentos

Segundo o sindicato, várias escolas estão registrando os estragos depois de um arrombamento. Os marginais quebram estrutura e equipamentos, furtam computadores, ventiladores etc., mas na maioria das vezes vão atrás da merenda. Segundo o Sindipema, a escola Professor Nunes Mendonça, no bairro Coroa do Meio, já foi alvo de arrombadores oito vezes só este ano. “A polícia já sabe quem são e a forma como agem, mas até agora nada foi feito”, reclama.

A Escola Municipal José Airton de Andrade, situada no bairro Ponto Novo, está na mesma conta - até o início deste mês também foram oito arrombamentos. Os marginais levaram produtos de limpeza e materiais didáticos utilizados pelos estudantes.

O presidente do Sindipema questiona também a retirada da Guarda Municipal da escola Jaime Araújo, no bairro Soledade, e explica que havia um acordo para que a guarda permanecesse na escola nos três turnos, devido ao índice de violência no local. “Ficamos sabendo que a guarda está saindo da escola e vai ficar só no turno da noite, queremos saber motivo”, questiona.

Guarda

Através da assessoria, a Guarda Municipal de Aracaju (GMA) informou que conta com um grupamento específico, equipado com três viaturas, para a realização de rondas nas escolas, e conta ainda com o apoio de todo grupamento. Informou também que a GM está presente de forma efetiva em quatro unidades escolares que apresentam um alto índice de criminalidade.

Sobre a saída da escola Jaime Araújo, o assessor da GMA, Rogério César, disse que o motivo foi um desentendimento com a direção da escola, que não se adequou à presença e forma de atuação dos guardas. “O diretor da escola não aceitou a forma de atuação da guarda dentro da escola, com o problema a direção da guarda achou melhor deixar os dois turnos e permanecer apenas no turno da noite, e com as rondas externas”, disse.

Ações de combate à violência

Com o visível aumento da violência nas escolas, a Secretaria Municipal da Educação (SEMED), representantes do Sindipema, Guarda Municipal, Polícia Militar do Estado de Sergipe (PMSE), Conselho Tutelar, Polícia Civil, professores e diretores de algumas escolas da rede pública municipal de ensino têm se reunido para tratar do assunto e buscar ações de combate e prevenção à violência nas unidades.

Até agora foram realizadas três reuniões, e um quarto encontro está marcado para esta segunda-feira (25).

Sobre a falta de porteiros nas unidades de ensino a assessoria da Secretaria Municipal de Educação disse que a culpa é da crise financeira. “Se dependesse da secretária ou do prefeito, esse problema já tinha sido resolvido, mas o problema é financeiro, a prefeitura não tem dinheiro pra isso”, disse o assessor da Semed, Pedro Rocha.

Pedro disse ainda que a secretaria reconhece o problema e busca junto a todos os envolvidos encontrar uma solução. Afirmou ainda que a Semed tem acompanhado as ocorrências de arrombamentos, mas desconhece os assaltos a professores e funcionários durante o expediente.

 

 

 

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