Mais de 600 pessoas aguardam atendimento no Hospital Cirurgia
Por falta de repasse, cirurgias foram suspensas na unidade e direção registra Boletim de Ocorrência
Cotidiano 16/11/2017 13h00 - Atualizado em 16/11/2017 13h58

Por Fernanda Araujo

As cirurgias eletivas voltaram a ser suspensas no Hospital de Cirurgia, em Aracaju (SE). Os procedimentos chegaram a ser retomados desde a paralisação em outubro, mas novamente foram interrompidos por falta de dinheiro, recurso que falta ser repassado pela Secretaria Municipal de Saúde também aos filantrópicos São José e Santa Isabel e que só devem ser regularizados em fevereiro de 2018.

Segundo o hospital, não há condições de manter o funcionamento e de honrar com os pagamentos do Corpo Clínico e da Cooperativa de Anestesiologistas, que paralisaram os serviços. Estão sendo realizados apenas atendimentos de urgência e emergência. De acordo com Milton Santana, diretor-presidente da unidade, a prefeitura já deve mais de R$ 2,6 milhões da parcela municipal.

O problema foi registrado em Boletim de Ocorrência contra a Saúde da capital pela própria direção do hospital, que levou a questão ao Ministério Público de Sergipe. No BO, a direção aponta que o hospital possui um crédito em cerca de R$ 7 milhões, e embora o município confirme um débito de cerca de R$ 6 milhões, nenhum valor foi pago, “o que inviabiliza o atendimento dos pacientes que venham a ser encaminhados para o Hospital, bem como os que já estão internados, interferindo assim no atingimento de metas e trazendo efetiva desassistência aos usuários do SUS, com eminente risco de morte”.

Mais de 600 pacientes estão na lista de espera do hospital para a realização de cirurgias, entre eletivas e outras 180 que ainda aguardam ser transferidas do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), além disso, mais de 60 estão internados no Cirurgia e uma média de 80 em outros hospitais do interior, mas ainda não conseguiram por causa do problema.

Ainda segundo o hospital, o quadro se agrava em razão da demissão em massa de médicos da UTI, em razão da falta de pagamento. “A Direção lamenta a situação e informa que não está medindo esforços para que o funcionamento volte à normalidade em breve”, diz o Cirurgia, em nota.

Segundo a assessoria de Comunicação da SMS, o Município ainda não foi notificado oficialmente, porém todos os pontos referentes ao pagamento desde o início do contrato, de 2015 até hoje, ao Cirurgia devem ser esclarecidos à Justiça e à imprensa em entrevista coletiva convocada para esta sexta-feira (17). Para a Saúde, o BO foi uma contestável tentativa de criminalizar as ações da Prefeitura.

“O trabalho está sendo feito e apesar de enfrentar dificuldades a secretaria já pagou um quantitativo muito grande ao Cirurgia e está se esforçando para não deixar ninguém desassistido. Tudo será esclarecido com notas fiscais, boletos pagos, toda a comprovação necessária”, completa a assessoria.

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