Mais de sete mulheres denunciam violência por dia em Aracaju
Cotidiano 08/03/2018 18h30

Por Will Rodriguez e Saullo Hipolito

Todos os dias, em média, 7,8 mulheres procuram a Delegacia de Atendimento à Mulher de Aracaju para denunciar um caso de violência. O dado foi divulgado hoje (8), Dia Internacional da Mulher, pela Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP) e acende o alerta para a necessidade de efetivação das medidas protetivas.

O levantamento da SSP mostra que no ano passado foi registrado o maior número de denúncias dos últimos quatro anos. Ao todo, 2.873 mulheres prestaram queixa contra agressores. Desse total, 969 foram convertidos em inquéritos policiais. Neste ano, os dados seguem alarmantes. Entre janeiro e fevereiro foram feitas 506 queixas na capital e 189 investigações já foram instauradas.

“É importante que haja a denúncia o quanto antes, para que o homem seja preso em flagrante. Quanto antes agir, mais fácil tirar a vítima do ciclo da violência e mais fácil evitar que aconteça um crime mais grave adiante”, afirma a delegada Renata Aboim.

Os crimes graves aos quais a delegada se refere são os feminicídios. No ano passado, seis casos aconteceram na região metropolitana. Neste ano, em apenas dois meses, cinco mulheres já foram mortas pelo companheiro ou ex-marido, uma realidade cruel para as famílias das vítimas, como mostrou reportagem publicada no mês passado pelo F5 News.

O enfrentamento à violência de gênero, na ótica da delegada-geral da Polícia Civil Katarina Feitosa, passa necessariamente pela conscientização das mulheres e isso é uma responsabilidade de vários segmentos do Estado.

“Precisamos que a mulher se oriente, perceba sinais, para que o caso não evolua. Geralmente é iniciado com uma agressão verbal, humilhações, depois evolui para um tapa, um empurrão e daí, consequentemente, pode chegar ao homicídio”, observa Feitosa, ressaltando a contribuição que quem está próximo pode dar ao denunciar.  “Muitas vezes, essa mulher não tem forças para fazer isso, ela não acredita que vai acontecer (o assassinato)”, afirma.

A maioria dos casos que chega à Delegacia Especializada refere-se à lesão corporal, ameaças e injúrias. Na delegacia, são informadas de que podem ser encaminhadas para a Casa Abrigo, um local sigiloso em Aracaju, onde as mulheres podem se resguardar até que as devidas providências sejam tomadas em relação ao acusado.

Em Sergipe, as Delegacias Especializadas da Mulher estão na capital sergipana, em Nossa Senhora do Socorro, Itabaiana, Glória e Lagarto, contudo, a pessoa pode fazer a denúncia em qualquer unidade policial.

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