Mais um outro lado do Pré-Caju: vendedores dormem ao relento
Precariedade do descanso costuma ser compensada pelo volume de vendas Cotidiano 18/01/2013 20h30Por Fernanda Araujo
Após a alegria da prévia carnavalesca, vendedores ambulantes e donos de bares se preparam para descansar e contar os lucros do dia. São homens e mulheres que enfrentam a noite e o frio da madrugada dos quatro dias do Pré-Caju, tentando conseguir arrecadar o mínimo necessário para a renda familiar.
Gente de Itabaiana, do município de Nossa Senhora do Socorro ou até mesmo da capital participa há vários anos no evento para vender seus produtos. A ambulante Maria José sai de Itabaiana para o Pré-Caju há dez anos e diz arrecadar quase R$ 500 por dia de festa. “Uso esse dinheiro nas compras pra minha casa e um pouco para os meus filhos”, afirma.
No primeiro dia do evento, o ambulante Ricardo Lima saiu de casa às 5h para garantir seu ponto de venda. “É muito trabalho, mas vale um pouco a pena”.
Entre 30 a 40 barracas instaladas na Treze de Julho, donos de bares dormem com a cama improvisada e alguns cobertores, para garantir um mínimo de conforto. Na barraca de salgados, Mateus Francisco (foto ao lado) vigiava enquanto a irmã dormia. Desde o início eles participam do Pré-Caju e arrecadam por volta de 2 a 3 mil reais até o último dia da festa. “Chegamos às 8h e só saímos na manhã do outro dia, para depois a gente voltar. Mas às vezes meu outro irmão vem para ajudar e dorme até chegarmos, e depois ele vai embora. Consideramos o valor razoável", analisa.
Outro vendedor, Alexandre da Silva, também vigiava a barraca de cervejas enquanto a família dormia. “Aqui ontem foi devagar, mas acredito que amanhã vai melhorar e domingo vai ser melhor ainda”. “Viemos de Socorro e estamos aqui desde ontem às 16h. É uma tarefa difícil, mas precisamos do dinheiro”, falava seu Messias enquanto se arrumava para voltar para casa e, depois, retornar novamente ao evento.
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