Manchado: uma história de superação
Jovem faz campanha para publicar livro que fala da vida após acidente Cotidiano 16/09/2014 09h00Por Aline Aragão
Era um dia como outro qualquer, na praia, na companhia de amigos. O que Braian Thomas não esperava é que aquele fatídico 1º de setembro de 2013 mudaria todos os outros dias da sua vida. Há um ano, um acidente de trânsito deu um novo rumo à vida do garoto, que passou a olhar para tudo ao seu redor de forma diferente.
Para superar o trauma sofrido, Braian decidiu escrever um livro, contando com detalhes tudo que viveu durante os meses mais difíceis da recuperação. Ele conta que começou escrevendo no celular, como forma de desabafo, e quando pode ficar sentado, passou a escrever no computador e foi aí surgiu à ideia do livro. “Era a forma que eu tinha de colocar pra fora o que estava sentindo, sempre que eu escrevia me sentia melhor”, disse Braian.
Após um mês lutando pela vida em uma cama de hospital, o garoto de apenas 16 anos voltou para casa, para iniciar uma dura e longa jornada de recuperação. Com uma fratura na bacia e outra na perna, Braian teve que passar quatro meses, imóvel, em uma maca; momentos que ele descreve no livro como os mais solitários da sua vida. Mas não pela falta de companhia, a mãe, dona Genalva, estava ali o tempo todo, era seus pés e suas mãos; os amigos também estiveram presentes. Mas Braian se sentia só por não poder mudar aquela situação ou talvez por se sentir responsável por ela; era só na dor, nos pensamentos e nas lembranças do acidente.
Além das fraturas pelo corpo, Braian sofreu uma grave fratura no crânio, o que comprometeu 70% da visão do olho direito. Depois da maca, foram mais dois meses em uma cadeira de rodas, e hoje, após um ano do acidente, ainda precisa da ajuda de uma muleta para caminhar, mas nem por isso, ele se deixa abater. “Quero mostrar para as pessoas que mesmo em situações difíceis ainda há esperança, basta que elas não desistam”, comenta.
As marcas que ficaram no corpo e na mente do jovem deram nome ao livro “Manchado”, uma metáfora às cicatrizes. “As cicatrizes são como manchas, você
pode tentar limpar, mas elas não vão sair, mas também não quer dizer que elas sejam algo ruim, elas contam uma parte da sua história”, explica.
O livro traz relatos de dor e superação, mas também relatos da solidariedade de amigos e do zelo e cuidado sem igual da mãe, dona Genalva Maria de Jesus, que esteve com ele durante todos os momentos. A cada novo capítulo uma ilustração, feitas pelo próprio autor, e trechos copiados como foram escritos no celular.
Para dona Genalva, que largou tudo que fazia para cuidar do filho, o livro foi uma surpresa, uma prova da força e da coragem de Braian. “Eu agora comemoro dois aniversários dele, que pra mim nasceu de novo”, disse.
Segundo dona Genelva, Braian sempre foi apaixonado por desenhos e quadrinhos e pretende cursar designe gráfico na faculdade. As habilidades e o talento do garoto foram importantes na criação do livro. “Ao escrever este livro usei todo o meu potencial; desenhei a capa e ilustrações, e usei meu conhecimento como designer para fazer o projeto gráfico”, explicou.
Com o livro pronto, Braian enfrenta agora um novo desafio, o de publicar a obra. Ele conta que pesquisou muito e o que descobriu foi que “o mercado literário brasileiro é muito fechado, principalmente para novos e jovens escritores”.
Para conseguir arrecadar fundos e bancar a publicação do livro o jovem está realizando uma campanha na internet. Para participar basta acessar o link http://www.kickante.com.br/campanhas/manchado, e contribuir com R$10 ou mais. A meta é chegar a R$4 mil.
No link da campanha o internauta encontrará toda história do garoto, desde o acidente, até a finalização do livro. Tem também um vídeo onde o próprio Braian conta a história. “Eu peguei toda minha dor e transformei em algo bom, eu quero contar a minha historia, e fazer com que as pessoas aprendam sem que precisem também quase perder suas vidas, toda ajuda será bem vinda e eu conto com todos para tornar este sonho real”.
Fotos: Aline Aragão

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos

