Marcha das Vadias protesta em favor da liberdade feminina
Mobilização leva centenas de pessoas ao Centro de Aracaju
Cotidiano 01/06/2012 16h29

Por Sílvio Oliveira

Frases de protesto, biquínis, batucada e cartazes com frases de efeito.  A Marcha das Vadias aconteceu na tarde desta sexta-feira, (01), no Centro de Aracaju (SE), como um protesto em favor da liberdade de se vestir, de fazer sexo, de ter direitos, necessidade e vontades, além de uma extensa pauta de políticas públicas, tais quais: Delegacia de Grupos Vulneráveis aberta 24 horas, salários iguais entre homens e mulheres, legalização do aborto e interiorização das delegacias.

A concentração aconteceu no início da tarde, em frente à Catedral Metropolitana de Aracaju. Oficinas de cartazes foram montadas e, ao serem confeccionados, ganharam lugar nas mãos das manifestantes. Com a chegada do minitrio, movimentos sociais, a exemplo da Unegro, do GLBT, da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres e dos coletivos Levante e Barricadas, da Universidade Federal de Sergipe, uniram forças numa uníssona corrente de protesto.

“É um movimento de luta que começou no Canadá para mostrar que as mulheres não querem ser violentadas. A cada cinco minutos, uma mulher sofre violência no país. Enquanto cidadãos, temos que fazer nossos direitos valerem. Esse é um movimento de todos, feito por todos e para todos”, destacou Lays Vanessa, uma das mobilizadora da Marcha (foto ao lado1).

Conforme Lays, o evento coloca Sergipe na pauta mundial e já aconteceu em diversas cidades brasileiras, a exemplo de  São Paulo, Recife, Brasília, Rio de Janeiro, Campinas, Belo Horizonte, Vitória, Maceió, Fortaleza, Natal, Porto Alegre e Salvador. “Aracaju também está inclusa no mapa da resistência feminista do Brasil. Reunimos não só mulheres, mas um movimento de todos para todos”, afirmou.

A Marcha partiu da praça Olimpio Campos e seguiu pela rua Itabaianinha até a praça General Valadão. Muitos cartazes pediam o fim da violência contra a mulher, mas em sua maioria tinham conotação em favor da liberdade sexual. Também foi levantada a bandeira do Movimento GLBT e de entidades de luta, a exemplo das mulheres do Conlutas.

Carolina Harstman, universitária, (foto ao lado2), disse que participou porque a mulher precisa ter voz. Já a representante do grupo Mexa-se, Adriene Lohanne, informou que movimentos como esse servem para alertar à população que a liberdade sexual é um direito. “É importante para combater processos de violência, de patriarcalismo, de machismo”.

Mas não só foram elas que compareceram. Homens também deram seu apoio à causa e destacaram que o corpo das mulheres é de propriedade delas e, por isso fazem dele o que bem entendem. “Acho que a mulher não deve lutar para ser livre, porque liberdade não tem distinção de ser homem ou não. Todos têm direito de fazerem o que quiserem, obedecendo as regras sociais, mas, principalmente, obedecendo a consciência”, alardeou o professor Jeferson dos Santos.

Vadia como termo reivindicatório

Num país onde são registrados milhares de casos de violência contra a mulher, o que seria mais um termo para ofendê-las, passou a ser de autodenominação e autodeterminação, pois as Marchas têm ocorrido em diversos países para mostrar que as mulheres podem se vestir como quiserem, inclusive utilizando do termo “vadia” como reivindicação do direito de ter direito a fazer o que quiserem com seu próprio corpo.

A Marcha das Vadias iniciou-se em Toronto, no Canadá,  no momento em que acontecia uma palestra sobre violência contra a mulher e um policial fez a afirmação de que as mulheres estavam sendo estupradas na cidade por se vestirem como vadias e, se não quisessem ser estupradas, que não se vestissem daquele jeito.

A declaração fez com que milhares de pessoas fossem às ruas da cidade canadense para mostrar para a sociedade que as vítimas de estupro não são as culpadas. O movimento ficou conhecido como Slutwalk, Marcha das Vadias, em português.

Fotos: Sílvio Oliveira

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