Microcefalia: aracajuanos serão punidos por não combater Aedes Aegypti
Em situação de emergência, Município reforça prevenção e atendimento Cotidiano 02/12/2015 10h44Por Fernanda Araujo
Foi decretada situação excepcional de emergência em Saúde Pública em Aracaju (SE), devido ao aumento dos casos de microcefalia no município. A capital tem o maior número de casos da doença - são 18 registrados entre mais de 70 casos notificados nos 32 municípios sergipanos. O decreto foi anunciado na manhã desta quarta-feira (02), no auditório do Centro de Especialidades Médicas (Cemar), no bairro Siqueira Campos.
O decreto vai possibilitar que a Prefeitura de Aracaju receba recursos de forma mais rápida, por parte do Ministério da Saúde, para aplicação no combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor do Zica vírus, e para o controle da doença. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) também solicitou ao Comando do 28º Batalhão de Caçadores a participação do Exército.
“Facilita também algumas ações, por exemplo, agiliza a compra de equipamentos e de materiais, a contratação de mão de obra (podemos contratar clínicas para fazer exames, profissionais de saúde e mais agentes). Com isso é possível também parcerias com outras secretarias, além de possibilitar que a gente possa ter prioridade no repasse de recursos internos, priorizando essas ações”, explica o secretário da pasta, Luciano Paz.
Para a assistência às mães e crianças com microcefalia, o secretário esclarece que será programada visita às famílias para encaminhá-las ao SUS. O plano prevê a prevenção da doença e o acompanhamento das gestantes no pré-natal e o da criança. “Importante destacar que a identificação só pode ser feita a partir do sexto mês da gestação. Vamos encaminhar a criança à especialista para que faça o diagnóstico e depois conduzir a psicólogo, neurologista, fonoaudiólogo e nutricionista”, diz.
Cuide da sua casa e vigie a do vizinho
A SMS orienta as pessoas a fazer denúncia em caso de suspeita de focos do mosquito, ligando para a Ouvidoria através do telefone 156. A partir de agora, as ações dos agentes de endemias serão intensificadas e as residências que estiverem com o foco serão autuadas. A equipe fará a limpeza do local e o morador terá prazo de dez dias para resolver o problema. A Vigilância Sanitária retornará ao local e, caso não resolva, o morador receberá multa inicial de R$ 100, valor que em caso de reincidência pode duplicar.
“Queremos que as pessoas se conscientizem, em alguns casos extremos vamos usar a força policial. Já recolhemos mais de 50 mil pneus jogados nas ruas de Aracaju só esse ano. Visitamos mais de três vezes a quantidade de domicílios – são mais de 740 mil visitas, sendo que temos cadastrado na capital cerca de 220 mil imóveis”, afirmou Luciano Paz.
Combate
Será iniciado o trabalho em campo, realizando visitas em todos os imóveis da capital. As ações serão em conjunto com a Vigilância Epidemiológica e a Vigilância Sanitária, intensificadas também com os agentes comunitários de saúde, no controle do Aedes, e os agentes de endemias. O Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), de novembro, apontou que 83% dos focos encontrados em Aracaju são de dentro das residências.“São mais de 800 agentes comunitários e 300 de endemias trabalhando no controle, na orientação, na eliminação e na educação em saúde dos moradores. É importante a comunidade saber que o principal são eles, que precisam eliminar os focos. A característica principal na capital são as lavanderias em que as pessoas armazenam água e elas não têm tampas para serem cobertas. A informação do secretário é de que irá comprar telas para cobrir”, acrescenta Thaís Cavalcante, coordenadora do Programa Municipal de Combate à Dengue.
*Colaborou Leonardo Barreto
Foto 1: André Moreira/arquivo F5 News
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