MNSL fica superlotada por falta de estrutura em outras maternidades
CRM/SE e do MPE fazem fiscalização na unidade
Cotidiano 21/05/2015 16h15

Por Elisângela Valença e Will Rodrigues

A Maternidade Nossa Senhora de Lurdes (MNSL), considerada uma das melhores do Nordeste, está com dificuldade de fazer jus ao título. Com capacidade para atender de 250 a 300 pacientes por mês, a qualidade do atendimento está prejudicada por conta do fluxo de 500 a 550 pacientes que chegam à unidade. Atualmente, a taxa de ocupação é de 120%.

Esta superlotação se deve às dificuldades na rede de saúde em todo o Estado, desde a pouca quantidade de profissionais de saúde no interior à má qualidade do pré-natal. “Nós somos uma maternidade de alto risco e a paciente tem se tornado de alto risco por conta do pré-natal mal feito, quando se deveria ter tomado uma atitude em outros momentos da gestão para evitar o risco”, comenta o diretor técnico da MNSL, Carlos Alberto Pereira.

De acordo com o gestor, Sergipe tem nove maternidades, sendo quatro filantrópicas e cinco ligadas à Fundação Hospital de Saúde (FHS). Destas nove, apenas quatro estão funcionando: duas filantrópicas e duas da FHS, sendo uma em Nossa Senhora do Socorro e a MNSL. “Como a Santa Izabel fechou a porta hoje (21), nossa situação fica ainda pior. Se uma paciente chegar lá agora, ela não passa nem do portão”, afirma Carlos Alberto.

O diretor técnico explica que a MNSL deveria funcionar com ‘porta regulada’, onde haveria uma triagem e ficariam nela apenas os casos de alto risco. “Isso não significa mandar a paciente para casa. A pessoa sai de uma unidade com o encaminhamento para a outra, já com nome do médico que irá recebê-la e na ambulância da unidade ou do SAMU”, esclarece Pereira.

Atualmente, a MNSL funciona com ‘porta aberta’: toda e qualquer paciente que chega à unidade é atendida. “Com a deficiência das outras unidades, estamos com a crise instalada aqui com a superlotação. Ontem, tinha dificuldade até para se movimentar no centro cirúrgico. Nossa equipe está sobrecarregada. Graças a Deus, ainda não perdemos paciente por conta disso, mas somos humanos e o risco é iminente”, alerta o diretor.

São 152 leitos, entre recém-nascido, UTI neonatal, centro cirúrgico, admissão, entre outras unidades. Das 7 horas às 19h, a MNSL funciona com uma equipe de 13 médicos; das 19h às 7h, com cinco. “Nosso quadro está fechado, adequado à configuração. Nosso problema é a superlotação. Algo precisa ser feito em dois sentidos: emergencial e a longo prazo”, salienta Carlos.

Pelos corredores, a superlotação se reflete nas reclamações. Uma mulher se queixava de estar há quase 24 horas no soro e sentada numa cadeira. “Eu sei que este não é o correto mas, dada a conjuntura, é melhor ela numa cadeira perto da equipe médica ou em casa?”, questiona o diretor.

“Eu sei que isto é inaceitável para quem está com dor, mas temos que trabalhar com a triagem: tal paciente tem que ser atendido em dez minutos, outro pode ser atendido em até trinta. Precisamos priorizar o atendimento”, justifica Carlos Alberto.

“Com o que estamos vivendo aqui, caberia uma intervenção ética parcial. Se fecharmos as portas, essas pacientes irão para onde? As maternidades particulares não têm condições de receber pacientes de alto risco. E quando está superlotado lá, as pacientes vêm pra cá. O que vamos fazer?”, indaga o diretor.

Fiscalização

Na tarde dessa quarta-feira (20), uma equipe do Conselho Regional de Medicina (CRM/SE) realizou uma fiscalização na unidade para elaborar um relatório que será apresentado nesta sexta-feira (22) à Secretaria de Estado da Saúde e ao Ministério Público Estadual (MPE).

A Promotoria dos Direitos à Saúde do MPE se adiantou e no começo da tarde desta quinta-feira (22) foi à Nossa Senhora de Lourdes para realizar uma vistoria.

Santa Isabel

F5 News entrou em contato com a assessoria de comunicação da Maternidade Santa Isabel, mas não obteve sucesso até o fechamento da matéria.  

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