Moradores de ocupações cobram acesso à moradia digna em Sergipe
Cotidiano 26/03/2014 13h45Por Fernanda Araujo
Em concentração na praça Fausto Cardoso, centro de Aracaju, integrantes dos movimentos Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu), dos Sem Teto (MST) de Sergipe e de Poço Redondo, e do Movimento Sem Casa (MSC) cobraram do poder público maior auxílio moradia, acesso das famílias a programas sociais, ações contra despejos forçados, entre outros pontos, principalmente se inserirem nos projetos previstos pelo Governo do Estado, em especial o 1º de Maio criado há seis anos e que, segundo eles, até hoje não surtiu efeito.
Depois da concentração na manhã desta quarta-feira (26), eles passaram pela Secretaria de Patrimônio da União, depois na porta do Tribunal de Justiça, na Secretaria de Inclusão Social e fecharam na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano – Sedurb, deixando uma carta no intuito de serem recebidos em uma reunião ampla com os representantes do governo.
Dalva da Graça (ao lado), da direção estadual do Motu, explica que o auxílio moradia das famílias que moram em áreas de risco está defasado desde 2011. Segundo ela, o aluguel aumentou progressivamente, por isso, há a necessidade de aumentar o auxílio para R$ 600. “Recebemos R$ 300, que não paga aluguel nenhum, e são famílias que sofreram despejo e judicialmente conseguiram”. Outra reivindicação, segundo o movimento, é liberar as áreas da União para projetos de moradia popular, que geralmente são permitidas para especulação imobiliária.Dados apresentados por Dalva acrescentam que no Motu há mil famílias morando em áreas de risco, que não têm condições de pagar aluguel. E em Sergipe, hoje, há um déficit habitacional de 74 mil unidades, de acordo com o Ministério das Cidades. “No ano passado a prefeitura disse que era 50 mil. Cada órgão diz uma coisa”.
Os movimentos sociais criticam ainda os despejos forçados das áreas ocupadas pelas famílias. A manifestante relata que ocupação de áreas sem uso é consentida pela lei que fala sobre o fim social de uma propriedade.
Dignidade e segurança
Não são poucas as famílias que ainda vivem na linha da pobreza em Sergipe. Entre elas está a de dona Valmari Araújo (ao lado), mãe de seis filhos e moradora há dois anos de uma casa de madeira na ocupação Matadouro, localizada na saída de Aracaju. Mães como ela pedem apenas o direito à segurança e auxílio para que construam a sua casa própria com dignidade. Dona Valmari denuncia até que infratores de áreas circunvizinhas à ocupação estão invadindo o local e despejando os moradores.“Policiamento não aparece. Somos mães, crianças, e idosos, ninguém olha esse lado. Invasores chegam e simplesmente dizem que vão dar até amanhã para sair do barraco ou então matam. Que a assistência social vá lá e faça o cadastramento de quem realmente quer alguma coisa, e as autoridades tirem aqueles que só querem bagunçar. Temos filho na escola, agora, nos tiram sem direito a nada”, lamenta.

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