Moradores discutem problemas dos alagamentos na Jabotiana com PMA
Prefeitura elabora projeto para viabilizar a solução das enchentes na região Cotidiano | Por Fernanda Araujo 29/07/2019 18h59 - Atualizado em 29/07/2019 19h14Os moradores das comunidades do bairro Jabotiana, em Aracaju, atingidas pelas enchentes decorrentes das fortes chuvas se reuniram nesta segunda-feira (29) com o prefeito Edvaldo Nogueira em busca de solução definitiva para os problemas de inundação registrados nas regiões próximas ao rio Poxim. Durante a reunião, foi apresentado às lideranças de associações um projeto feito através de estudos por uma empresa contratada para a realização de obras que devem solucionar o problema.
No início do mês, moradores de conjuntos habitacionais como Sol Nascente, Santa Lúcia, Jk e Largo da Aparecida, ficaram ilhados e desabrigados por conta do transbordamento do rio Poxim, situação enfrentada há anos. "Os administradores dos municípios e do Estado - e o pior, a Adema - tentam passar a idéia de 'calamidade pública', não concordamos, isso é crime ambiental que vai desde a especulação imobiliária, destruição dos manguezais, assoreamento dos rios e canais, ao aterro da Lagoa Doce", declarou o morador Flávio Marcel.
Segundo o presidente da Empresa Municipal de Obras e Urbanização, Sérgio Ferrari, o projeto de macrodrenagem para todas as áreas próximas ao rio Poxim apontou nove pontos críticos; desses, sete compreendem a região do Jabotiana, entre eles, o subdimensionamento da rede de drenagem. "Isso é natural porque essa região é muito antiga. No momento que iniciaram a primeira drenagem tinha um determinado diâmetro e quando a cidade cresce esse diâmetro hoje é inadequado. Além de várias situações de trabalho mau feito, de entupimentos de uso da população", afirmou Ferrari.
Conforme o estudo, entre as soluções para as enchentes, estão o de obras para aumentar o diâmetro da drenagem, limpeza e aumento de canais e a construção de lagoas de detenção. "É um mix de soluções, mas a principal delas e que realmente vai demandar mais tempo e recursos é a desobstrução da dragagem do canal do rio Poxim, que sozinha não resolve, tem que fazer em conjunto. O projeto é de longa duração, não temos ideia ainda da quantidade de recurso", explicou Ferrari, antecipando que o planejamento para a obra é de quatro a cinco anos.
O orçamento para as obras ainda será avaliado, segundo a pasta. Cinco representantes da comunidade devem participar de uma comissão que será criada para acompanhar o projeto junto aos técnicos da Emurb. O prefeito Edvaldo Nogueira disse que as enchentes também se devem ao assoreamento do rio e que vai buscar recursos para o andamento das obras. Até lá, serviços como a desobstrução dos canais devem continuar a ser feitos.
"Foi uma reunião muito importante, mostramos um trabalho que estamos fazendo desde março. Tem também um trabalho mostrando o assoreamento do rio, precisa de um projeto. São projetos que vão exigir da Prefeitura, Governo do Estado, Governo Federal para encontrar a saída definitiva para os alagamentos. A prefeitura está disposta a liderar esse trabalho, vai buscar recursos, mas a prefeitura sozinha não consegue. É um projeto a longo prazo, mas que precisa começar logo, que a gente possa ir tomando medidas para resolver o problema", declarou Edvaldo Nogueira.
Lideranças afirmaram que a reunião foi produtiva. "A gente agradece a oportunidade para dialogar. Esse problema se arrasta há 40 anos, é crônico e vem se agravando ano após ano. Teve enchentes este ano, 2017 e 2015, ou seja, a cada dois anos. Sem dúvida é uma obra faraônica, vai ser cara, mas a comunidade carece dela. É um problema muito sério, que precisa de imediatismo", afirmou Victor Fontes, presidente da Associação dos moradores do JK e Sol Nascente.
"É isso que a comunidade precisava, uma resposta imediata. Como partiu do prefeito mostrando o projeto, o interesse de resolver, isso nos traz confiança", relatou Cláudia Souza, presidente da Associação dos Moradores do Santa Lúcia.
Lagoa Doce
Além do problema das enchentes, os moradores também questionam a construção de uma estação de tratamento feita pela Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), que aterrou parte da Lagoa Doce no bairro. Eles defendem que a área é um escoador importante em épocas de chuva e criticam o impacto ambiental que a obra pode causar. Já a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) afirmou não haver irregularidades na obra.
Edvaldo informou que um estudo também está sendo elaborado sobre o caso. Uma reunião com o governador Belivaldo Chagas, juntamente com os técnicos da Adema, está marcada para o dia 1 de agosto.
Barrados
Algumas pessoas foram barradas para comparecer à reunião. Segundo Karina Drumond, presidente do Conselho das Associações de Moradores dos Bairros Aeroporto, Jabotiana e Zona de Expansão (Combaze), lideranças da Jabotiana foram excluídas do encontro.
"A diretoria do COMBAZE não participou da reunião, critério só o Prefeito Edvaldo Nogueira pode responder, isso demonstra que ele não quer dialogar amplamente com a comunidade para tratar desta pauta. Estamos na porta, cheio de guardas impedindo", disse a presidente.
Ao F5 News, a assessoria da Prefeitura informou que a reunião foi marcada com algumas lideranças, as que se apresentaram ao Município durante todo o período em que ocorreram as chuvas, sendo que todas estiveram presentes.

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