Mulheres defendem que Agamenon deve perder o mandato
Feministas prestam queixa contra o vereador por incitação a violência Cotidiano 28/11/2014 18h57Por Will Rodrigues
Um grupo de mulheres organizadas pela União Brasileira de Mulheres (UBM/SE) e por dirigentes sindicais feministas protocolaram, no final da tarde desta sexta-feira (28), uma denúncia junto à Delegacia da Mulher contra o vereador de Aracaju, Agamenon Sobral (PP), segundo elas, na tentativa de impedir que o parlamentar volte a utilizar a tribuna da Câmara Municipal de Vereadores para fazer “pronunciamentos de apologia e incitação à violência contra mulheres”.
A revolta das feministas se acendeu depois que Agamenon defendeu a aplicação de uma surra em uma noiva que teria tentado se casar sem calcinha, mas foi impedida pelo padre (notícia falsa). As declarações dele irritaram a colega de parlamento Lucimara Passos (PcdoB) que usou uma calcinha para protestar durante uma sessão na Câmara.
Mas, as mulheres presentes alegam que o vereador é reincidente, contudo nenhuma punição foi aplicada. “Há algum tempo atrás esse vereador fez comentários maldosos com relação a profissionais do Huse e nada aconteceu. Fomos as ruas, fomos à Câmara e a impunidade foi a resposta”, argumenta Ivânia Freire, presidente do Sindicato dos Bancários do Estado de Sergipe (SEEB/SE).
Indignada, a sindicalista afirma que a sociedade não pode mais conceber essa ação de impunidade. “Nós já vivemos uma situação de violência há anos, o que precisamos é que a Câmara de Vereadores se proponha a juntar-se a todos que defendem a não violência contra a mulher para inibir, combater e exterminar de uma vez por todas esse mal. Não podemos aceitar que um cidadão investido de poder como vereador, faça apologia e incentive a violência”, queixa-se.
Ivânia (foto ao lado) ainda cobra um posicionamento da Comissão de Ética da Câmara de Vereadores. “Se é que existe uma comissão de ética, que assim como os agressores contra as mulheres sejam punidos, que o vereador também seja exemplarmente. ”, defende, ao pedir respeito. “Queremos ter o direito de ir e vir sem ser vitima de violência. Exerce,r na plenitude, o direito de ser mulher. Ser mulher é crime?”, questiona.O grupo de Mulheres também elaborou uma “Carta contra a Incitação de Violência de Gênero por parte do Vereador Agamenon” que será entregue à Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), Ministério Público Estadual (MPE/SE), Secretaria Nacional de Políticas Públicas para Mulheres e para a presidenta da República, Dilma Rousseff.
Ao defender que o vereador deve perder o seu mandado, a representante da União Brasileira de Mulheres (UBM), Irisdalva Maria, receia que a atitude de Agamenon provoque um aumento nos casos de violência contra a mulher. “Se ele não for punido pode provocar um aumento sim. Como podemos combater a violência se uma autoridade esta incitando? Ele não pode nos representar. Nós exigimos que a Câmara tome alguma atitude porque ela está sendo cúmplice quando não faz nada”, reclama.
Na sede do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), as mulheres foram recebidas pela delegada Taís Santiago. Ela preferiu não falar com a imprensa sobre esse caso e a reunião aconteceu a portar fechadas.Despreocupado
F5 News tentou por diversas vezes ouvir o vereador Agamenon Sobral por meio de telefone, mas nenhuma das nossas ligações foram atendidas. Em entrevista ao portal no começo da semana, ele afirmou não estar “preocupado com a opinião do povo acerca dos posicionamentos dele”.
Em uma emissora de rádio, na manhã desta sexta, o vereador também garantiu que não tem medo da Comissão de Ética da Câmara de Vereadores.
Fotos: Will Rodrigues/F5 News

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