Mulheres sergipanas se destacam na Construção Civil
Cotidiano 24/06/2014 14h15

 

Por Fernanda Araujo

Nesta terça-feira (24) é comemorado, além do São João, o dia da Construção Civil. Uma pesquisa realizada pelo FIES, SESI e NIE divulgada esse ano sobre o Perfil da Mão de Obra em Sergipe mostrou que esse é o setor onde há maior disparidade no que se refere ao gênero dos trabalhadores formais. Em Sergipe, 92,2% dos funcionários nos canteiros de obras são homens, ou seja, apenas 7,8% são mulheres. A nível Nordeste, de 92,1% masculino, o público feminino sobe apenas para 7,9%. Já nacionalmente a grande maioria também é do sexo masculino com 91,5%, sendo o maior percentual de mulheres encontrado de 8,5%.

Analisando a faixa etária dos trabalhadores, observa-se que em Sergipe apenas 0,4% tem até 17 anos, percentual inferior ao resultado do Brasil (1,1%). A maior parte dos trabalhadores dos três agregados estudados possui entre 30 e 39 anos de idade. Apesar do número pequeno de mulheres na área isto ainda

representa um crescimento. No curso de Engenharia Civil de uma universidade particular em Aracaju, capital sergipana, o número total de acadêmicos do sexo feminino é de 453, sendo 306 alunas do turno da noite e 147 no turno matutino.

Jovem, bonita e engenheira civil há dois anos, Tainara de Oliveira Barbosa (ao lado), de 26 anos, diz que escolheu a profissão após ter feito um curso técnico na área de edificações. Na área de construção civil há quase seis anos, para ela, comandar tantos homens exige confiança em si mesma, tendo em vista que a preferência pelos homens neste mercado de trabalho ainda persiste e é percebida nas entrevistas de trabalho. No entanto, ela acredita que o preconceito contra o sexo feminino nesse ramo está sendo vencido ao longo do tempo, tanto é que, diferente de dez anos atrás, a cada dia elas enxergam nessa área mais oportunidades.

“Temos hoje mestre de obras, as que operam guinchos. Mas, se você procurar na internet, geralmente fala que as mulheres estão tomando o mercado de trabalho por falta de hom

ens. Então, assim, só porque falta? Acho que eles pensam que o homem tem mais imposição sobre os operários. Apesar de alguns acharem que é melhor a figura masculina, isso está mudando um pouco. Os homens se sentem mais intimidados, respeitam mais as mulheres no campo do que os homens. A partir do momento que elas entraram superaram as expectativas”, diz Tainara.

Segundo ela, as mulheres são mais cuidadosas, cautelosas e detalhistas, até mesmo na hora de manusear equipamentos. Chegar ao comando de uma obra foi de forma natural para ela. “É o que eu gosto. Eu já saio de casa pensando no que tenho que fazer, e da obra com o sentimento de missão cumprida”, completa.

Mestre de obras

A mestre de obras Ivone Barbosa (abaixo), de 32 anos, sabe impor autoridade. Com ela trabalham entre os homens, 21 mulheres no setor operacional e seis no administrativo. Após ter estudado em uma escola técnica na cidade de Lagarto, ela ingressou no setor ferroviário. Trabalhou como técnica no apoio operacional durante três anos, mas queria crescer na área da construção civil.

“Na parte ferroviária você tem um aprendizado muito bom, porém, não abrange a parte construtiva. Então eu pedir demissão e apostei tudo na

construção civil. Para mim foi começar tudo do zero e um novo aprendizado”. Enquanto existiam os sarcasmos e afirmações de pessoas de que ela não seria capaz, a vontade de vencer sobressaiu. Ivone chegou a substituir um técnico do sexo masculino e, com surpresa, foi promovida. Dotada de conhecimento prático e teórico, ela diz não ter sentido receio ao embarcar no ramo.

“Eu sempre quis ser o diferencial da área da construção civil, e mostrar para as pessoas que independente do sexo a gente é capaz. A partir do momento que foi trazendo mulheres a empresa sentiu melhoras, principalmente na hora da entrega ao cliente, porque nós temos uma visão mais crítica. Sempre dei o melhor de mim e amo o que faço. Foi com isso que meu trabalho começou a ser enxergado. Ser mestre é uma profissão que não é para muitos, mas no dia a dia a gente vai aprendendo. Enquanto um lhe diz que você não é capaz, você com seu esforço e trabalho vai bem mais além do que os outros acham”.

Cabo de turma

Para Irley Araujo de Jesus, 34 anos, a falta de condições foi o que a levou a profissão. Desde cedo começou a trabalhar e foi com o esforço de servente de várias empresas que se tornou cabo de turma. “Tenho todo o orgulho de falar que eu era servente. Gostava muito do que eu fazia e para mim foi crescer profissionalmente. Hoje quero algo maior, não chegar a engenheira porque para mim estuda muito e estou velha”.

Quando começou como servente, Irley conta que os familiares diziam não ser serviço para mulher - aquele velho preconceito de que mulher deve trabalhar em casa de família, atrás de fogão ou lavando roupa. “Eu nunca concordei com isso. Por pensar assim me sinto orgulhosa. Nós mulheres estamos conquistand

o posições. Eu gosto muito de trabalhar entre os homens. Quando mostramos liderança e sabemos falar com eles é muito bom de lidar. Graças a Deus, em nenhuma obra fui desrespeitada por homem porque também sempre soube me impor”.

Servente

Um trabalho duro e escaldante, mas praticável por mulheres de fibra como Rafaela Santos de Jesus (ao lado), de 22 anos. O trabalho exige força, mas mostra que elas são tão capazes quanto os homens. Rafaela seguiu o exemplo da mãe que é servente. Sem conseguir trabalho em outro local, a oportunidade surgiu pelo conhecimento da mãe.

“Foi a única oportunidade que eu tive, por isso que hoje estou aqui. Pego no pesado, é cansativo, mas gosto do meu serviço. Logo quando eu entrei eu tinha medo de preconceito porque tinha muito homem e eu achava que só seria eu de mulher. Eu tinha medo de chegar na obra, mas depois me adaptei com as pessoas”.

 

Fotos: Fernanda Araujo

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