Não Pago protesta e Setransp diz que passagem deveria ser R$ 3,52
Cotidiano 21/12/2015 13h28

Por Fernanda Araujo

Com a possibilidade de aprovação do reajuste da tarifa de transporte público, de R$ 2,70 para R$ 3,10 – aumento de 14,81% –, manifestantes de movimentos sociais seguiram em caminhada da praça Fausto Cardoso até a Câmara de Vereadores de Aracaju, no Centro. Policiais estavam em frente à CMA antes mesmo do ato ter início.

O projeto do Executivo foi lido no pequeno expediente pelos vereadores nesta segunda-feira (21) para ser votado ainda hoje, apesar do regimento determinar a votação após 24 horas da chegada da propositura. Os manifestantes tomaram como surpresa a chegada do projeto à Casa ao término dos trabalhos.

 

“Isso é abusivo, não há participação popular para adequar o modelo às necessidades. Sábado eu estava no ônibus Augusto Franco/Bugio, ele quebrou e todo mundo teve que descer. As pessoas se aproveitam do ônibus lotado pra assediar mulheres. O ônibus está sempre na pior qualidade possível, sem acessibilidade para deficientes. A Câmara aprova projetos sem ouvir a população. A população é a mais adequada para saber o que deve ser feito. Vamos tentar de todos os meios barrar o aumento”, diz o estudante Wesley Aquino.

Para a estudante Clara de Noronha, o atual preço da tarifa já não condiz com a realidade do transporte público da capital e caso haja aumento será um atentado contra a classe trabalhadora. “Quem depende do transporte em Aracaju são trabalhadores que se sustentam com salário mínimo e o aumento pesa diretamente no bolso. Queremos apresentação da planilha de custos e que haja diálogo com a população antes que seja feito, 

uma audiência pública. A realidade é precária, são ônibus velhos que não rodam, os terminais não são bem estruturados, falta qualidade e segurança”, critica.

Durante o ato, ocorreu um pequeno tumulto quando os policiais impediram a passagem de algumas pessoas que queriam acompanhar a sessão. Um dos organizadores do movimento Não Pago, Demétrio Varjão, reclama da falta de acesso à planilha de custos do Setransp enviada à Prefeitura. “A gente solicitou dia 11 de dezembro e a SMTT não divulgou a planilha, ou seja, a própria prefeitura de Aracaju está abafando, escondendo a fraude dos empresários de transporte. A gente já analisou uma planilha e observamos que eles põem coisa que não existe para colocar o valor da tarifa lá para cima”, denuncia.

Para Varjão, se aprovada a nova tarifa é criminosa e ilegal que afeta, sobretudo, os trabalhadores que já estão sofrendo com desemprego e aumento de inflação.“Algum vereador desse vai sofrer isso? Não, não andam de ônibus, nem o prefeito João Alves. O transporte público não pode ser tratado como uma negociata entre prefeito e os empresários do transporte. A gente sabe que o grande objetivo do aumento da passagem é garantir o lucro dos empresários para eles financiarem campanha do prefeito e de vereadores que estão querendo aprovar”, acusa. 

Aumento

No entanto, em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) avalia que a passagem deveria ser de R$ 3,52, devido ao aumento de 23,84% dos custos do transporte e uma queda de 6,16% do número de passageiros pagantes. Segundo o sindicato, no período de janeiro a novembro de 2015 houve uma redução de mais de 4,8 milhões de passageiros comparando com o mesmo período de 2014.

“O cálculo tarifário apresentado pelo Setransp foi realizado com base na legislação em vigor. A atualização dos custos do transporte é repassada todos os meses e anualmente, como um resumo geral de praxe, para a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), que é quem realiza o cálculo tarifário submetido à aprovação. O Setransp, por sua vez, alerta para necessidade da garantia do equilíbrio econômico do setor de transporte público para sua operação, e defende que o Município apresente uma tarifa que preserve a qualidade do serviço prestado e os investimentos necessários”, resume.

Fotos: Fernanda Araujo

 

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