‘Não Pago’ vai tentar barrar aumento de tarifa de ônibus
Cotidiano 11/04/2013 09h49

Por Elisângela Valença

Apesar dos inúmeros protestos, os vereadores de Aracaju aprovaram o reajuste da tarifa de ônibus para R$ 2,45. O projeto de lei reajustando a passagem vai agora para o Poder Executivo para ser sancionado ou não pelo prefeito de Aracaju, João Alves Filho.

Quinze vereadores votaram a favor: Agamenon Sobral (PP), Dr. Agnaldo (PR), Anderson de Tuca (PRTB), Daniela Fortes (PR), Jailton Santana (PSC), Jony Marcos (PRB), Augusto do Japaozinho (PRTB), Dr. Gonzaga (PMDB), Ivaldo José (PSD), Emília Correa (DEM), Manoel Marcos (DEM), Renilson Félix (DEM), Robson Viana (PMDB), Adelson Filho (PSL) e Valdir Santos (PTdoB).

Sete vereadores votaram contra o reajuste: Adriano Taxista (PSDB), Lucas Aribé e Max Prejuízo (ambos PSB), Emanuel Nascimento, Emerson Ferreira e Iran Barbosa (todos do PT) e Lucimara Passos (PCdo). O vereador pastor Roberto Morais (PR) faltou à sessão.

A vereadora Daniela Fortes disse que foi a favor do aumento dando um voto de confiança aos empresários de que vão melhorar os serviços. “Eu fiz um estudo sobre isso. Ouvi empresários, rodoviários, população. O serviço é péssimo, os trabalhadores estão sem aumento e ameaçando fazer uma grande greve, as frotas estão sucateadas. É uma realidade triste”, disse a vereadora.

“Mas a tarifa está congelada há muito tempo, então, resolvi dar este voto de confiança. Se já está ruim, pode virar um caos”, acrescentou a vereadora. “E, como vereadora, vou cobrar dos envolvidos,  Setransp, SMTT, para que mude essa realidade”, disse.

Omissão

Já para o vereador Emanuel Nascimento, o Poder Executivo foi omisso. “Como é matéria financeira, o Poder Executivo deveria ter feito o projeto, assumindo uma posição e justificando-a, seja pelo aumento, redução, congelamento”, disse o vereador.

“Mas o projeto acabou sendo feito na Câmara de Vereadores, aprovado pela maioria e agora vai para o Poder Executivo, que se omitiu de sua função. E o pior é que a planilha apresentada pela SMTT apresentava um reajuste para R$ 2,43 e a Câmara acabou aprovando R$ 2,45”, criticou.

Ações

Mas o Movimento Não Pago, movimento popular que vem cobrando redução de tarifa e serviço de qualidade, não vai engolir calado este reajuste. “Nós vamos procurar os meios jurídicos e manter as mobilizações”, garantiu Demétrio Varjão, membro do Não Pago. Segundo ele, não houve uma discussão técnica real sobre o assunto. “Os vereadores acabaram aprovando valores irreais e verdadeiros desmandos”, atacou Demétrio.

De acordo com Demétrio, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp) apresentou custos que não existem. “Eles apresentaram salário de cobrador em micro-ônibus, que todo mundo sabe que não existe, que esta função é acumulada no motorista; câmara de ar, quando os pneus não usam câmara de ar”, explicou.

“Os reajustes para salários da diretoria do Setransp foram outro absurdo”, comentou. “Na planilha, o reajuste para o ticket alimentação da diretoria foi de 117%, passando de R$ 966 para mais de R$ 2.100. O aumento de salário ficou em 25%, passando de R$ 8.500 para mais de R$ 11.000. Foram absurdos como estes que os vereadores aprovaram”, comentou.

Demétrio disse que todo o levantamento feito pelo Movimento foi apresentado na Câmara de Vereadores em 11 de março deste ano. “Mas não vamos ficar calados. Vamos pressionar. Em Porto Alegre, a população foi às ruas e conseguiu reduzir a tarifa. É isso que vamos fazer em Aracaju”, afirmou.

Foto: Asscom/Câmara de Vereadores de Aracaju

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