Náufragos: o rastro da Segunda Guerra Mundial em Aracaju
Cotidiano 16/03/2018 13h30 - Atualizado em 17/03/2018 10h23

Por Fernanda Araujo

O mar sergipano foi pintado de sangue no fatídico agosto de 1942. A Segunda Guerra Mundial chegou à costa sergipana deixando muitos mortos, feridos e náufragos dos bombardeios vindos de um submarino alemão.

Tombado como patrimônio histórico, o Cemitério dos Náufragos, monumento que remete à história de Aracaju,  na Praia do Mosqueiro, foi fundado pelo médico Carlos Moraes de Menezes, naquela época, quando enterrou os mortos da praia durante o bombardeio.

Três navios sergipanos afundaram nas águas e a âncora de um deles até hoje fica exposta no cemitério como marco simbólico. Segundo o historiador Luiz Antônio Cruz, doutor em História Social pela Universidade Federal da Bahia, poucos estados brasileiros sofreram tanto com os eventos militares da Segunda Guerra Mundial quanto Sergipe.

Entre 1942 e 1944, submarinos alemães se movimentaram ao largo da capital sergipana e atacaram vários navios mercantes, gerando a morte de centenas de pessoas, de acordo com o historiador. O mais trágico  aconteceu em agosto de 1942, quando apenas um submarino alemão, o U-507, teve o poder de atacar sequencialmente sete embarcações em Sergipe e na Bahia.

Do total das 1.051 pessoas que morreram nos ataques navais no Brasil, país que havia declarado sua neutralidade até o incidente em Sergipe, 551 perderam a vida na costa sergipana.

“Essas catástrofes reunidas se tornaram o principal motivo para o Brasil declarar guerra à Alemanha e à Itália. À época de barbáries no mar e por algumas praias serem bastante isoladas, costumavam sair de Aracaju aviões do Aeroclube de Sergipe e carros em diligências à beira mar com o intuito de resgatar os náufragos, recolher os cadáveres e destroços nas praias”, conta Luiz Cruz.

Em meio ao terror da guerra, de acordo com o pesquisador, se criou um clima de medo generalizado na cidade de Aracaju; os pouco mais de 100 mil aracajuanos passaram a conviver diretamente com os militares norte-americanos e brasileiros de outras regiões, a exemplo de soldados gaúchos que vigiavam a praia.

“Em virtude disso, a sua população foi obrigada a adotar um sistema de defesa passivo: blecaute, ensaios antiaéreos, toque de recolher e vigilância aos suspeitos. Foi um tempo difícil em que Aracaju foi alçada à condição de vítima da guerra submarina”, ressalta.

Reflexos da Guerra

Foram vários os reflexos da guerra para o estado, segundo o historiador. Um deles causou impactos negativos na economia quando os navios deixaram de vir para Aracaju, “o que quase asfixiou o comércio local: racionamento de mercadorias, carestia de preços, novos hábitos alimentares e desemprego generalizado”.

Por outro lado, conforme Luiz Cruz, o governo sergipano teve que repensar a sua infraestrutura de transportes: aéreo, rodoviário e ferroviário, e a partir disso construiu um novo quartel do 28º Batalhão de Caçadores nos outeiros do bairro 18 do Forte.

“Os reflexos da guerra submarina também se materializaram em vários cemitérios dos náufragos ao longo da costa de Sergipe. Um deles se localiza no povoado Mosqueiro, onde se tem a seguinte inscrição tumular: ‘Aí está o golpe mais traiçoeiro vibrado contra o coração da nacionalidade’”.

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