Novas alternativas ajudam a diminuir a desertificação da Caatinga
Ceramistas aprendem a exercer o trabalho com sustentabilidade ambiental Cotidiano 11/12/2014 12h52Por Fernanda Araujo
Ceramistas de Sergipe participam, nesta quinta-feira (11), do encerramento do curso Perspectivas para o Setor Cerâmico: Mercado da Construção Civil de Linhas de Financiamento. O curso faz parte do projeto Eficiência Energética com Uso Sustentável de Recursos Florestais em Cerâmicas de Sergipe. O objetivo é regularizar a situação de várias cerâmicas que estão ineficientes do ponto de vista de sustentabilidade ambiental.
O projeto foi realizado pelo SergipeTec, e os empresários do ramo foram capacitados pela Fundação Parque Tecnológico da Paraíba/Centro de Produção Industrial Sustentável (Cepis) de Campina Grande, com recursos do Fundo Socioambiental da Caixa e Fundo Nacional do Meio Ambiente, a partir do combate a desertificação. Dez engenheiros florestais foram preparados em Produção Mais Limpa, sendo 80 profissionais de cerâmica das cidades de Itabaianinha, Itabaiana e Propriá, capacitados.
“A discussão do problema de desmatamento e consequente desertificação do bioma da Caatinga foi
discutido bastante em 2011, em 2012 aprovamos um projeto já que as indústrias de cerâmica e gesso que atuam no Nordeste são grandes demandantes de madeira para o processo produtivo”, explica o gestor do Núcleo de Estudos e Projetos do SergipeTec, Francisco Pedro de Jesus Filho. O intuito é apresentar novas tecnologias de produção e técnicas modernas, de forma sustentável, onde o mesmo produto pode ser produzido consumindo menos lenha “desde o preparo da massa, a secagem e queima”.Para a aquisição de equipamentos modernos para melhorar a produtividade e eficiência energética, a Caixa e o Banco do Nordeste disponibilizam o acesso às linhas de crédito. Paralelo a isso, o SergipeTec desenvolverá, nos próximos seis meses, um programa que dará assistência técnica para esses proprietários de cerâmicas de forma gratuita. “Temos ceramistas que estão evoluídos em termo de tecnologia, outros ainda precisam avançar mais. Mas, Sergipe tem posição muito boa de liderança dentro dessa área, mas precisamos universalizar”, completa.
Segundo o diretor-presidente do SergipeTec, Marcos Wandir (ao lado), o contexto do mundo hoje é garantir que se produza materiais cerâmicos com qualidade dentro do equilíbrio ambiental. “Estamos aglutinando outros municípios para alertar e na meta final fazer um grande pacto pela sustentabilidade”.
De acordo com a diretoria do Departamento de Combate a Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, Dian Chama, sete projetos de eficiência energética foram iniciados em quatro estados do Nordeste que possuem o bioma da Caatinga. “Atravessamos um momento de avanço, e ao mesmo tempo, de muitos desafios no tema de desertificação. Sabemos que a Caatinga avançou nas experiências e o Brasil, infelizmente, vai sofrer toda uma ação de desertificação, haja vista que, São Paulo a própria água está sumindo. Isso, de fato é resultado da mudança de clima por causa de desertificação”.
“Houve mudanças de raciocínio, hoje tem que se cumprir regras do meio ambiente, necessárias. Desde 80 que compramos lenha de reflorestamento da Bahia, Sergipe não tem. Na extração da argila não pode tirar dos minadouros, de áreas de preservação permanente, não pode derrubar árvores centenárias de beirada de rio, entre outras regras. O projeto mostra muitas alternativas para nós, só traz conhecimento”, diz Abílio Guimarães, do sindicato dos ceramistas.
“Sergipe foi o último estado no ranking de desmatamento e queima entre 2012 e 2014. As cerâmicas vermelhas no estado há muito tempo não queima lenhas nativas, queima lenhas plantadas. Passaram a se comprometer mais com essas questões. A consequência disso é diminuição da devastação. Paralelo a isso, mais de 60% das panificações hoje funcionam com alternativa energética, seja a gás ou elétrica, o que diminui a procura por lenha nativa. Sergipe concluiu, agora, seu diagnóstico florestal e inventário”, afirma Genival Nunes, secretário do Estado do Meio Ambiente.
Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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