Número de guarda-vidas é insuficiente para cobrir o litoral de Sergipe
Mais de 240 pessoas já se afogaram no estado este ano Cotidiano 04/11/2017 07h35Por Fernanda Araujo e Will Rodriguez
Sergipe possui uma extensa área litorânea que exala tranquilidade e beleza, mas que também expõe banhistas a riscos. O guarda-vidas é o responsável por evitar afogamentos e assim preservar a vida de quem se vê envolvido nesse tipo de situação, mas para a Associação dos Militares de Sergipe (Amese) o número desses profissionais no Estado não é o suficiente.
Atualmente, segundo a assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros, somente a capital sergipana conta com 29 guarda-vidas do agrupamento marítimo. Em outras cidades sergipanas, a responsabilidade é dos municípios que possuem balneários e rios. Os profissionais trabalham em escala e durante o fim de semana o serviço é dobrado.
“Os guarda-vidas ficam em locais estratégicos do litoral, nas áreas consideradas de risco. Tanto na água quanto na terra ficam motorizados e vão ao local assim que acionados”, afirma a assessora, capitã Manuela Gomes.
O Ministério Público do Estado chegou a mover uma ação civil, em maio deste ano, para cobrar a reestruturação do Corpo de Bombeiros, devido ao baixo efetivo, entre outros problemas. Na época, a Amese afirmou que o efetivo atual da corporação, inclusive de guarda-vidas, não era suficiente para atender às necessidades da população. A falta de mergulhadores chegou a impossibilitar o atendimento a dois afogamentos registrados.
A necessidade real para o serviço de mergulhadores seria no mínimo de 20 bombeiros, mas atualmente só há seis. A exigência da Marinha do Brasil é de que se trabalhe um número mínimo de quatro equipes de mergulhadores em cada Estado, ou três equipes em casos de águas límpidas, o que não é a situação de Sergipe, que tem rios e mar de águas turvas.
A Zona de Expansão de Aracaju não conta com o trabalho de guarda-vidas. Os militares atendem mediante chamado, porém, nem sempre o tempo resposta da solicitação tem sido eficaz.
O governo do Estado autorizou a realização do concurso, de acordo com a Corporação. Uma comissão foi formada para preparar o Edital que será publicado ainda este ano. De acordo com os Bombeiros, o concurso deve ser realizado no primeiro semestre de 2018. O número de vagas ainda não foi definido.
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Cuidado
Porém, antes mesmo da necessidade de maior efetivo, é preciso que os banhistas tenham consciência dos riscos. Neste feriado, 2 de novembro, um adolescente ainda sem identificação morreu afogado na Orla da Atalaia, zona Sul da capital. A vítima foi socorrida pelos bombeiros, que estavam na área, mas não resistiu. O local estava sinalizado como impróprio para banho.
Segundo o Corpo de Bombeiros, durante o ano já foram realizados até o início deste mês 246 resgates, destes, quatro sem sucesso, resultando na morte de dois adolescentes e dois adultos.
“O afogamento não foi por falta de efetivo. Os guarda-vidas estavam no local e fizeram o socorro, os banhistas tinham sido orientados no local. As pessoas também têm que se conscientizar. Os guarda-vidas não têm condições de ficar somente em um local, eles fazem ronda em toda a extensão da praia. Infelizmente, muitas pessoas não obedecem às orientações e até retiram as placas de sinalização. O que mais temos que fazer é orientação ao perigo”, ressalta a capitã Manuela.

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