O novo perfil do profissional Engenheiro Agrônomo do século XXI
Cotidiano 29/01/2018 15h50A rigor, as possibilidades atuais de atuação do profissional engenheiro agrônomo são muito maiores e, sua atuação, invariavelmente, vai muito além do campo, do meio rural. Ao contrário do que acontecia no passado recente, onde era a Ciência Agronômica, romanticamente, tida e havida como a arte de cultivar os campos, onde o profissional era forjado nas universidades, essencialmente para atender a demanda do serviço público, para ser o agente do governo, mensageiro e condutor das ações de política agrícola dos governos federal e estadual. Em muitos casos eram contratados ainda na faculdade, com opção de escolha, dentro da sua melhor conveniência.
Era esse o cenário prevalecente nas décadas de 60 e 70. Hoje, dada à dependência dos combustíveis fósseis na maioria dos sistemas agrícolas, é a Agronomia, em essência, definida como sendo a ciência capaz de transformar petróleo em alimento e fibra. Nesta perspectiva, ao longo dos últimos 10 anos, o perfil do engenheiro agrônomo mudou muito e continua em dinâmica mutação. Assim, as novas tendências de mercado cada vez mais exigentes e competitivas, vem impondo a cada dia que o profissional seja mais eclético, e que não se atenha tão somente ao conhecimento da funcionalidade das plantas e dos animais.
Mais do que, apenas, dominar as tecnologias agronômicas, o novo profissional deve ajudar o produtor rural a entender melhor diversos aspectos, que vão desde questões de tendências de mercado e negócios, até as tecnologias de precisão. Vivemos na atualidade a era de maior informação do homem, em todas as áreas do conhecimento, determinando que cada ser humano tenha a necessidade de se atualizar quase que diariamente e estar “antenado” com o mercado de trabalho, para poder competir em igualdade de condições, em um mercado cada vez mais exigente e competitivo.
Mostra-se imperativo que o novo profissional além de ter conhecimento amplo, tenha pleno domínio de pelo menos um idioma, de preferência a língua inglesa, detenha uma boa base em estatística geral e experimental e, sobretudo, seja um profissional ávido pelo conhecimento, doravante o bem mais caro e cobiçado da humanidade. Hoje nos países de primeiro mundo, mais da metade do PIB já vem do conhecimento e esta tendência deverá ser ampliada nos próximos anos.
O cenário atual sinaliza para o engenheiro agrônomo um leque de oportunidades que não existia antes. Ele pode atuar em áreas de marketing, inteligência de mercado, análise de risco, entre outras. Isso demonstra uma mudança importante no papel deste profissional, que deixa de ser prioritariamente técnico e passa a ser também um consultor altamente especializado, independente da área em que venha a atuar.
O perfil do novo engenheiro agrônomo está ligado a um novo panorama energético, um cenário de globalização e mudanças organizacionais, e essa nova realidade envolve a conjuntura nacional e internacional, responsabilidade social e ambiental. Nesse contexto, o profissional do futuro será aquele voltado para a multidisciplinaridade envolvendo tecnologias de precisão, associadas com a tecnologia da informação, visando agregar valor às cadeias produtivas.
O desafio também é grande para as instituições formadoras, pois a grade curricular do curso de engenharia agronômica deve estar sempre ajustada às demandas de mercado, em especial para a formação do engenheiro agrônomo empreendedor.
As universidades devem ficar atentas e flexibilizar as mudanças durante o curso, atualizando periodicamente o conteúdo programático da formação do profissional, visando adequá-lo a um mundo em constante transformação, pois, durante o período de cinco anos exigidos, as demandas da sociedade mudam intensamente. Evidente que, com o aumento das oportunidades vem também o aumento das responsabilidades.
Os chamados “profissionais do futuro” já são e serão cada vez mais os encarregados de ajudar a suprir as necessidades alimentares mundiais. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que, por conta do aumento da população, será necessário aumentar em 70% a produção mundial de alimentos até 2050.
Para atender a esta demanda, o engenheiro agrônomo tem um papel fundamental, pois é ele que vai propor soluções em produtos e serviços e orientar os agricultores sobre as melhores práticas, como o uso racional dos recursos naturais, visando produzir mais e melhor e de forma responsável, alimentos para atender a crescente demanda mundial.
Estima-se que no Brasil haja cerca de 150 mil engenheiros agrônomos e cresce cada vez mais a busca por profissionais bem preparados para atender às novas demandas e necessidades do mercado agrícola. Algumas empresas, principalmente as focadas em pesquisa e desenvolvimento, elaboram programas específicos para desenvolvimento de pessoas, que visam, em médio e longo prazo, formar especialistas para suas diversas áreas, em complemento ao que é visto nas universidades.
Atualmente, os engenheiros agrônomos, sobretudo os profissionais autônomos que atuam diretamente no campo são mais do que meros transferidores de conhecimentos agronômicos.
Eles efetivamente se tornaram consultores do agronegócio e passaram a exercer um papel importante na elaboração e execução das estratégias empresariais. Para se ter uma ideia da mudança ocorrida, em 2008 cada engenheiro agrônomo investia, em média, 21% do seu tempo em visitas a clientes no campo. Hoje, aproximadamente 40% do tempo é dedicado ao relacionamento com o produtor e à construção de negócios. Eis o grande desafio do engenheiro agrônomo, produzir alimentos e contribuir para a paz, porque a rigor a fome é má conselheira e, efetivamente, não se constrói a paz em estômagos vazios.
Engenheiro Agrônomo Fernando de Andrade
Presidente da AEASE

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