Ocupações: cadastro da Prefeitura de Aracaju é incompleto
Famílias convivem com problemas estruturais em prédios abandonados
Cotidiano 08/05/2018 14h50 - Atualizado em 08/05/2018 14h57

Por Fernanda Araujo e Will Rodriguez

Desde 2015, mais de 50 famílias ocupam o antigo Hotel Aperipê, localizado na rua São Cristóvão, Centro de Aracaju (SE), batizado de ocupação Dandara. Crianças, jovens e adultos sobrevivem em um prédio abandonado, com condições precárias de moradia.

São ao todo 54 famílias que, segundo a coordenadora da ocupação, Elisângela Santos, não recebem acompanhamento ou qualquer tipo de ação por parte da Prefeitura de Aracaju, como aluguel social e nem estão cadastradas em programas de moradia.

“As famílias que lá estão vivem em situação de abandono por parte do poder público. Quem mora em ocupação para o poder público é invisível. As famílias vivem de bicos e doações”, lamenta Elisângela.

Além do Dandara, de maioria de pessoas em situação de rua, outros prédios abandonados estão ocupados. É o caso do Casarão do Parque, também no Centro que, segundo a Prefeitura de Aracaju, é a única oficialmente registrada pela Secretaria de Assistência Social.

“No local, foram cadastradas 164 famílias, das quais 155 participam do auxílio-moradia e as outras nove não se enquadraram nos critérios para receberem recursos do programa. Isso demonstra que a Assistência Social de Aracaju realiza o acompanhamento para concessão do benefício avaliando as necessidades dos cidadãos”, afirma a assessoria da PMA.

No Dandara, embora a estrutura do prédio esteja em boas condições, inclusive com água encanada, segundo avaliação da coordenadora com base na vistoria da Defesa Civil, as ligações de energia são clandestinas, o que eleva o riscos de incidentes. “E a tendência é esse tipo de moradia aumentar, já que não existe uma política eficiente para a população sem teto”, relata Elisângela.

Ao todo, são mais de 1.540 pessoas cadastradas nos diversos tipos de ocupações, segundo a Secretaria de Assistência Social.

Conforme afirma a PMA em nota, no caso da Ocupação Dandara foi realizado um cadastro anterior em que das 67 famílias na época, 64 estão recebendo auxílio-moradia.

“No local, atualmente, se encontra uma nova ocupação com novas famílias. Visto que, após a retirada das famílias no primeiro momento, o proprietário do prédio não tomou as providências necessárias para preservá-lo”, afirma a secretária interina da Assistência Social, Rosane Cunha.

Ainda de acordo com a PMA, no momento, não há cadastramento para casas próprias, “já que o financiamento para construção de habitação para população de baixa renda e/ou renda zero está suspenso por parte do Governo Federal”.

Foto: reprodução Google

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