“Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”
Tema do 20º Grito dos Excluídos traz à tona o tráfico de pessoas Cotidiano 05/09/2014 12h00Por Fernanda Araujo
O 20º Grito dos Excluídos, idealizado pela igreja católica em meados da década de 90 no Brasil, volta a mobilizar a população a lutar por uma nova sociedade. Em Aracaju (SE) tem novamente a participação de vários movimentos sociais. Com o tema “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”, a passeata aprofunda o lema atual da Campanha da Fraternidade - “É para a liberdade que Cristo nos libertou” -, que discute o tráfico humano.
Este ano, no próximo domingo (7) logo após o desfile oficial que dá início às 8h na avenida Barão de Maruim, o grito traz à tona o tráfico humano para o trabalho escravo, para a prostituição de mulheres e a venda de órgãos. Segundo Dom José Palmeira Lessa (ao lado), a mercantilização da vida
humana fatura 32 bilhões de dólares por ano no mundo, afetando mais de 2 milhões de pessoas, sendo 30% crianças. O arcebispo afirma que faltam políticas públicas para os pobres. Além disso, com as passeatas realizadas desde o ano passado, inclusive contra a Copa do Mundo no Brasil, para ele isso significa o amadurecimento dos jovens na busca pela dignidade.“O povo não está contra o futebol, mas contra o superfaturamento, enquanto na saúde, moradia, educação, transporte e na segurança não acontecem o mesmo cuidado. A vida é em primeiro lugar. Isso não quer dizer que o Grito está excluindo o pessoal da alta sociedade, mas é tirar os pobres da exclusão para a inclusão social. O Grito quer reafirmar a missão libertadora de Jesus”, afirma o arcebispo. Os participantes irão se concentrar na praça da Catedral Metropolitana de Aracaju e provavelmente entrarão na avenida por volta do meio dia.
Para o presidente da Associação de Defensores Públicos, Sérgio Barreto Morais (ao lado), o órgão não poderia estar de fora do movimento popular. “O objetivo é de inclusão, de trazer a sociedadea um momento de reflexão e aprofundamento da discussão das políticas públicas. Temos que acordar porque há milhões de brasileiros excluídos de todas elas, pessoas privadas de direitos fundamentais indispensáveis à existência enquanto ser humano digno. Não podemos nos conformar com essa situação”.De acordo com o professor Roberto Silva, vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Grito também serve para mostrar que o povo precisa ter mais voz e direito de participar e intervir nas decisões políticas, no orçamento público para a educação e saúde, além de reafirmar as pautas trabalhistas. A integrante do Movimento dos Trabalhadores Urbanos de Sergipe (MOTU), Dalva da Graça, também acredita que vai fortalecer o plebiscito popular para reforma política, por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.
“Segundo o mapa da violência, Sergipe hoje ocupa o sexto lugar dos estados brasileiros na taxa de homicídios, com maior incidência entre jovens, negros e pobres. São jovens de 15 a 29 anos mortos por arma de fogo. Segundo dados do IBGE, 10% dos ricos concentram 41% da riqueza do país, e 10% dos pobres, menos de 1%. O Grito é para buscar formas de construir perspectivas melhores. Ocupar rua é significativo - se é na rua que os direitos são violados, é na rua que devemos fazer o grito de libertação. É a vulnerabilidade que torna as pessoas vítimas”, acredita Lídia Anjos, do Movimento Nacional de Direitos Humanos.
Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos
