Oito policiais militares foram assassinados em Sergipe
Sinpol afirma que falta rigor na legislação penal
Cotidiano 19/10/2015 13h30

Por Fernanda Araujo

Oito policiais militares foram assassinados somente neste ano, até o momento, no Estado de Sergipe. Desses, cinco casos já foram elucidados e os culpados presos, alguns tendo membros da família das vítimas como acusados. A Polícia Civil já iniciou as investigações de outras três mortes de PMS.

Entre os casos mais recentes em Aracaju (SE), estão o do sargento Valdomiro dos Passos Filho, de 43 anos, morto durante assalto na última sexta-feira (16) e do soldado reformado Luciano dos Santos Menezes, 49 anos, assassinado dentro de um ônibus na noite de sábado (17), também durante assalto. Os inquéritos estão sob responsabilidade dos delegados Gabriel Ribeiro, da 3º Delegacia Metropolitana, e João Martins, da Divisão de Repressão a Roubos a Ônibus.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os crimes já possuem linhas de investigação. As gravações de dentro do ônibus, segundo a Polícia Militar, mostram que Luciano, apesar de armado, tentou impedir a ação imobilizando um dos assaltantes que estava na frente da catraca, não considerando o segundo assaltante que estava do outro lado e armado, este saltou a catraca e o matou. Já Valdomiro, pertencente à 4º Companhia, estava de folga, e ao ir ao banco fazer um depósito, quatro homens fizeram os disparos contra ele. Chegou com vida ao hospital e após cinco paradas cardíacas faleceu.

Outro caso de assassinato de PM aconteceu no mês de junho, tendo como vítima o cabo Arnaldo de Mendonça, numa tentativa de assalto, no bairro Coqueiral. A investigação é conduzida pela 3º Delegacia, a Polícia Civil acredita em latrocínio. Todas as pessoas pertinentes ao caso, de acordo com o delegado que acompanha o caso, foram ouvidas. “As investigações estão bem adiantadas, já estão encaminhadas. A polícia agora trabalha com uma identificação para prender os acusados”, afirma a assessoria de comunicação da SSP.

Para o Sindicato de Policiais Civis de Sergipe (Sinpol), falta rigor na legislação penal, tendo em vista que 95% dos delinquentes presos já tiveram passagem pela polícia.

“Isso quer dizer que as leis não prendem preso. A violência tende a crescer. A população sergipana cresceu, são mais de 2 milhões de habitantes, o efetivo policial é ineficiente para o combate dessa criminalidade. É necessário que seja aumentado o efetivo policial, que as leis sejam mais rígidas e duras. Se segurar mais presos nos presídios acredito que vai diminuir essa violência. É necessário que as polícias estejam mais preparadas e o governo dê condições para o policial trabalhar”, afirma José Luis, vice-presidente do Sinpol.

“Hoje, os bandidos estão partindo para matar policiais. Está se vivendo uma guerra, não só em Sergipe, mas no Brasil. A criminalidade aqui tem crescido assustadoramente. A polícia prende, infelizmente, as leis soltam. Se a polícia está sendo atacada, imagine o cidadão comum. No caso de Luciano, ele não tentou reagir, apenas mataram porque identificaram que era policial. Infelizmente, o nosso Direitos Humanos aparece quando a polícia, em confronto, o bandido morre, mas quando morre o cidadão de bem, um policial, o Direitos Humanos não cumpre o seu papel. Estão na contramão”, lamenta o policial.

Na terça-feira (20), às 15h, haverá uma caminhada de luto de policiais, com cortejo simbolizando o enterro da Segurança Pública, na praça Fausto Cardoso, na capital.

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