Órgãos de controle fazem vistoria em caixa d’água que caiu em Dores (SE)
Cotidiano 07/11/2017 16h00 - Atualizado em 07/11/2017 18h04

Por Fernanda Araujo

Uma vistoria começou a ser realizada na caixa d’ água que desabou sobre 20 pessoas, matando duas crianças, na Escola Municipal Professor Osman dos Santos Oliveira, no povoado Campo Grande, em Nossa Senhora das Dores (SE). Técnicos da Defesa Civil Estadual, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (CREA), o Instituto de Criminalística e representantes da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) - à qual pertence a caixa - estiveram no local na manhã desta terça-feira (7) e avaliaram as condições do reservatório.

Uma perícia no local do acidente foi feita na segunda-feira (6) a pedido da Polícia Civil, que é responsável pelas investigações. De acordo com o delegado do município, Marcos Garcia, numa análise preliminar foi identificado que a estrutura do reservatório tem sinais claros de corrosão.

Um laudo técnico ainda deve determinar as causas do acidente. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, uma equipe multidisciplinar foi hoje ao local para verificar a situação. Ainda ontem, familiares e testemunhas foram ouvidas e hoje mais pessoas devem prestar depoimento. A polícia quer esclarecer se houve negligência e imperícia.

O inquérito deve ser concluído em 30 dias, podendo ser prorrogado, já que o caso se configura como duplo-homicídio culposo.  A Promotoria de Justiça do município também instaurou inquérito civil para apurar as causas e responsabilidades do desabamento.

Moradores do povoado afirmam que o que aconteceu foi uma tragédia anunciada. Eles afirmam que, em 2010, foi feito um abaixo-assinado no povoado que foi levado a Justiça para cobrar da Deso a retirada da caixa d’água.

“A Deso mandou um engenheiro vir e o engenheiro disse que não tinha perigo. Mas a gente sempre reclamando, cobrando e nada fizeram”, afirma o vigilante Igor Rodrigues, que ajudou a socorrer algumas vítimas.

“A Deso já sabia que isso ia acontecer, tem muitos anos que estávamos lutando para tirar essa caixa d’água daqui”, critica a professora Vanessa Cristina dos Santos.

Em nota divulgada na segunda, a Deso disse lamentar profundamente o acidente e que não medirá esforços para atenuar a dor das famílias envolvidas no que chamou de "fatalidade". A direção da Deso afirmou ainda que está solidária a todos os envolvidos, direta ou indiretamente no acidente, que irá apurar tecnicamente e prestará todos os esclarecimentos necessários sobre o ocorrido.

F5 News procurou a assessoria de comunicação da Deso para obter detalhes sobre a situação do reservatório de água. Segundo a empresa, a caixa tinha capacidade para 30 mil anos e foi instalada há quase 13 anos. Durante a vistoria, o diretor de Meio Ambiente e Engenharia do órgão, Gabriel Campos, informou que a caixa passou por uma reforma há cinco anos, atendendo a pedidos da própria comunidade, e disse ainda que a Companhia vai reconstruir a escola que ficou totalmente destruída. 

A Secretaria de Educação do município afirma que a retomada das aulas vai ser discutida com a comunidade. A Prefeitura avalia a possibilidade de alugar um imóvel na região para acolher os alunos.

Foto: F5 News

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