Ortopedia no Huse: Profissionais dizem que situação é caótica
Maioria dos ortopedistas se demite e problema é discutido no MPE Cotidiano 16/05/2013 11h29
Por Míriam Donald
Com condições de trabalho precárias desde outubro de 2012, a situação da Ortopedia no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) se tornou insustentável, causando transtornos à população e principalmente aos profissionais. O problema gerou o pedido de demissão de 10 dos 19 ortopedistas que compõem o quadro clínico da especialidade. A fim de discutir a problema e buscar uma solução, o Ministério Público Estadual (MPE), através da Promotoria dos Direitos à Saúde, realizou audiência com a categoria e os órgãos competentes nesta quarta-feira (15).
Segundo o promotor de justiça Fábio Viegas, o MPE já havia ajuizado Ação Civil Pública (ACP), que se encontra em grau de recurso no Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE) e mesmo assim alguns problemas são gravíssimos e, para que não houvesse desassistência, os médicos protocolaram um ofício ao MPE.
Em audiência, o ortopedista Fábio França afirmou que a situação da ortopedia sempre foi caótica e que isso ocasionou os pedidos de demissão, aumentando a sobrecarga de trabalho dos profissionais que continuam atuando, o que cria desassistência aos pacientes.
O ortopedista disse ainda que 80% da escala é composta por médicos estatutários e os plantões contam com dois profissionais. Segundo ele, se o quadro não for solucionado a curto prazo, o plantão tende a inexistir. Além da escassez de médicos, ele relatou problemas como a falta de materiais e condições das salas de centro cirúrgico que vêm inviabilizando o trabalho.
De acordo com o ortopedista Daniel Bispo, as condições de trabalho geraram uma situação em que nem a estrutura remuneratória vem atraindo profissionais para exercício no hospital. “A escala do Huse precisa ser dotada de maior efetividade, com o objetivo de reduzir a sobrecarga dos profissionais e otimizar o atendimento aos pacientes”, afirma.
Diante do exposto, o diretor clínico do Huse, Marcos Krogger, disse que desde outubro de 2012 a situação é desastrosa por parte dos gestores em relação às demandas dos médicos, gerando insatisfação na equipe. Como solução, o diretor propõe a elaboração de planejamento e fixação de metas para otimizar o trabalho e retomar entendimentos com os profissionais.
Fundação Hospitalar de Saúde
Diante da dificuldade da situação, a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) viabilizou serviços regionais nos Hospitais de Itabaiana, Nossa Senhora do Socorro e Lagarto, tendo como resultado a realização de 300 cirurgias e assim um redução considerável da demanda do pronto-socorro do Huse.
O diretor operacional da FHS, Wagner Andrade, alega que um dos motivos da desassistência é o número finito dos médicos e que os únicos locais do Estado que contam com porta aberta de Ortopedia são o Huse e o Hospital Regional de Lagarto. Para ele, o essencial seria que cada plantão conte no mínimo com três profissionais. Além disso, ele se comprometeu a garantir o abastecimento de insumos aos médicos ortopedistas para a realização de procedimentos cirúrgicos, tais como furadeiras e roupas.
“A Fundação apresentará nova proposta aos médicos celetistas e, quanto aos estatutários, aguardamos um posicionamento da Secretaria de Planejamento no tocante a questões remuneratórias”, diz Wagner.
Prazos
Diante das considerações, o promotor Fábio Viegas fixou prazo de 48 dias para que a FHS encaminhe ao MPE um documento informando o resultado da reunião agendada, ratificou o entendimento formulado pelos médicos presentes e do Conselho Regional de Medicina quanto à grave situação da ortopedia e ressaltou que as tratativas firmadas não substituem decisões contidas nos autos de ACP em trâmite na 3ª Vara Cívil da Comarca de Aracaju.

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