Paciente morre sem conseguir realizar exame em Aracaju
Cotidiano 30/11/2017 11h15 - Atualizado em 30/11/2017 11h31Por Fernanda Araujo
Aguardar pela realização de um exame é um enfrentamento diário de milhares de usuários do Sistema Único de Saúde, o problema é quando essa espera demora além do razoável. Uma mulher de 59 anos faleceu em Aracaju (SE) antes mesmo de ter seu exame autorizado pela Secretaria Municipal de Saúde. A autorização só veio um mês após a sua morte.
Quem conta é o esposo da falecida, que preferiu não ser identificado. Ao F5 News, ele afirma que M.C.M sofria de câncer do cólon e precisava de um exame de ultrassonografia que deveria ser autorizado com urgência no posto de saúde Hugo Gurgel, no bairro Coroa do Meio.
O pedido de exame foi feito em maio, a mulher faleceu de choque séptico e cascinomatose peritoneal no dia 11 de junho, e o exame foi autorizado um mês depois para o dia 17 de julho.
“Ela teve que fazer uma cirurgia no Hospital de Cirurgia, recebeu alta, mas ficou debilitada e voltou para o hospital, quando faleceu. Se ela tivesse feito esses exames poderia retardar a morte. Se a médica pediu com urgência, era para ser feito com urgência. Era para ser autorizado dentro do prazo, mas a mensagem de autorização veio um mês depois. A vida dela não vai voltar, mas quero que eles tenham respeito para não acontecer a mesma coisa com outras pessoas”, lamenta.
Às vezes por meses e até anos pacientes esperam pela realização de exames, situação que, segundo alguns usuários, é recorrente na unidade de saúde da Coroa do Meio. Em maio deste ano diversos usuários reclamaram contra a demora no atendimento, que teria sido causado por problemas no sistema de marcação de exame. Em junho uma paciente chegou a se acorrentar nos portões do posto em forma de protesto por melhoria no atendimento.
“Desde março estou com três exames para marcar, ortopedista, oftalmologista e raio x. O médico pede urgência e nada. Tem que vir todo o dia para tentar conseguir”, afirmou a diarista Lúcia Santos.
“Espero por exame de dezembro do ano passado e de janeiro deste ano, e nada, tem gente até que espera por dois, três anos”, relatou a líder comunitária Alessandra Alves.
Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, no entanto, existe muito absenteísmo na rede municipal de marcação de exames, o que geralmente leva à demora na sua realização. De acordo com a SMS, normalmente o exame é solicitado, mas os pacientes acabam não atualizando suas informações pessoais para que o Núcleo de Controle, Avaliação, Auditoria e Regulação (NUCCAR) entre em contato e confirme o exame.
“É importante que o paciente vá à sua própria unidade de saúde para atualizar o telefone, CEP da atual residência, porque assim que o exame é requisitado o Nuccar entra em contato com a pessoa com os dados que ela mesma fornece. A grande maioria da população não faz isso, e perde a data do exame. A SMS está reciclando a rede porque tem muitas pessoas que marcaram e não foram, ou o contato e endereço não estavam atualizados”, explica a assessoria.
Sobre o caso de M.C.M, a Secretaria reconheceu que a paciente requisitou o exame em 26 de maio, faleceu 15 dias depois, e só teve o procedimento autorizado um mês após sua morte, em 12 de julho. No entanto, segundo a pasta, o processo que ao todo levou 46 dias “estava dentro do prazo médio de espera na fila para exames no Sistema Único de Saúde de Aracaju, que é de 45 a 60 dias”.
"Paciente foi identificada apenas pelas iniciais para preservar a fonte.

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