Pacientes oncológicos voltam a ficar sem quimioterapia em Sergipe
Cotidiano 01/06/2017 11h56 - Atualizado em 01/06/2017 12h53

Por Fernanda Araujo

Mais uma vez pacientes oncológicos em Sergipe estão sendo prejudicados, agora com a falta de medicamentos nos dois hospitais que realizam o tratamento no estado. Tanto o Hospital de Urgência (Huse) como o Hospital de Cirurgia, ambos em Aracaju, estão sem medicamentos para quimioterapia, conforme denuncia o Grupo Mulheres de Peito.

Segundo Sheila Galba, no Huse medicamentos estão em falta há mais de 20 dias. “Recebemos reclamações de pacientes afirmando que vão para o tratamento e é dito que não tem medicação, mas o hospital não informa quais estão faltando. Eu também já liguei e não dizem. O único medicamento que soube é o CTX. Disseram que fizeram pregão para solucionar o problema, mas até agora nada”, afirma.

O CTX é um tipo de medicamento que é administrado para o paciente na primeira fase da quimioterapia, chamada de fase vermelha. O remédio deve ser sempre utilizado com outra medicação, dependendo do caso o paciente precisa tomar a cada 21 dias. “Ou seja, se não toma quebra um ciclo e quem precisa é prejudicado. Essa é a pior fase, em que a pessoa fica bastante debilitada e tem que passar por ela”, diz Galba.

No Cirurgia a situação é a mesma, segundo ela. Enquanto não se retoma o tratamento, alguns pacientes, inclusive, estão indo a clínicas particulares para comprar os medicamentos, geralmente caros. “Quem deixa de comer para comprar, vai numa clínica particular e volta com o medicamento para tomar no Huse ou Cirurgia. O medicamento se encontra no mercado, mas não estão abastecendo”, denuncia.

De acordo com Galba, alguns pacientes e familiares devem formalizar denúncia no Ministério Público do Estado.

A Onco Cirurgia, clínica que presta o serviço de quimioterapia no Cirurgia, reconhece que houve falha no tratamento de alguns pacientes. O atendimento estava praticamente suspenso desde janeiro deste ano, segundo a clínica, devido à falta de recursos. “Fomos atendendo com o que conseguimos, mas pelo tempo todos os pacientes acabaram sendo transferidos, uns para o Huse e outros para hospitais fora do estado por escolha própria. É difícil dizer quantos medicamentos estão em falta porque cada esquema quimioterápico tem duas, três drogas”, afirma a administradora, Rossana Sales.

Apesar disso, Sales ressalta que foi feito um acordo na semana passada com o hospital para retornar o atendimento em sua plenitude. “A situação da Saúde do país está difícil, está havendo dificuldade de recurso. Estamos buscando apoio do Estado, do Município, de todas as entidades, Ministério Público. A perspectiva é de normalizar a situação nos próximos dias, ou no próximo mês”, diz.

Sobre o Huse, F5 News procurou a Secretaria de Estado da Saúde, que ainda deve se pronunciar sobre o assunto.

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