Palestra sobre escravidão no Brasil leva estudantes ao Arquivo Público
Cotidiano 19/05/2014 11h05Por Fernanda Araujo
“A escravidão do Brasil Contemporâneo” é tema de palestra no Arquivo Público de Aracaju, localizado na avenida Hermes Fontes, no bairro São José, em Aracaju (SE). O evento realizado com o apoio da Secretaria Especial de Cultura (Sec/Funcaju), na manhã desta segunda-feira (19), teve a presença de estudantes do ensino médio de um colégio particular da capital. A palestra foi ministrada pela professora de história Patrícia Coutinho, que mostrou a evolução da escravidão desde o Egito antigo, Roma e Grécia até a realidade brasileira.
Segunda ela, debater temas polêmicos permite alertar e mostrar aos alunos e à população em geral que a escravidão persiste ainda em todo o m
undo, a exemplo do trabalho infantil e os boias-frias. Apesar da abolição da escravidão de africanos há 126 anos, ela não acabou e aparece das mais diversas formas principalmente a negros, mulheres e crianças.“Os boias-frias são enganados por uma espécie de um ‘gato’ que trabalha para um fazendeiro. Ele convence esse trabalhador, no momento desempregado, dizendo que terá um bom salário, local para morar com sua família e etc. Ao chegar nesse local a realidade é totalmente outra, os gastos do seu transporte até o local de trabalho são anotados como dívida, tudo que se consome é anotado, o aluguel da residência que seria gratuito é anotado, inclusive, não tem liberdade de sair dali”, explica a professora.
Outro tipo de escravidão sujeita crianças menores de 15 anos que são forçadas a ajudar no sustento da família. “Essas são as principais. Já no trabalho urbano muitas vezes em fábrica de tecidos mulheres brasileiras ou estrangeiras, da Bolívia, Venezuela, são obrigadas a trabalhar em um sistema compulsório, sem descanso, férias ou remuneração - além da escravidão sexual”, conta. Como um exemplo desse cenário, no último dia 6, fiscais do Ministério
do Trabalho resgataram seis bolivianos que costuravam peças da marca M Officer em condições análogas à escravidão em uma oficina na zona leste da capital paulista.“Muitas dessas grifes famosas que conhecemos ou usamos são feitas pelo trabalho escravo até de crianças. Tem leis que coíbem esse crime, a PF vai em cima, o problema é que muitas dessas leis não são postas totalmente em prática quando é descoberto. Muitos são presos, mas conseguem sair, outros nem chegam a ser presos. Falta eficácia do governo e uma maior fiscalização”, afirma Patrícia. De acordo com ela, uma pesquisa nacional apontou que nos estados da Bahia, Maceió, Maranhão, e, pr
incipalmente, Pará, se encontra o maior número de pessoas em trabalhos forçados.De acordo com o diretor da unidade, Anderson Curvelo (à esquerda), a ideia de trazer o tema culminou com o dia 13 de maio em que se comemora a Lei Áurea. “Começamos esse trabalho no início de 2013, todos os meses a gente busca uma data interessante naquele mês para poder fazer algo diferencial, um trabalho extra do Arquivo. Acho que é uma contribuição que o Arquivo está dando aos alunos da nossa capital”, diz.
O professor de física responsável pela turma, Mário César (à direita), ressalta a importância de levar o tema aos jovens. “Um país que não conhece sua história é um país sem identidade. A partir do momento que tem conhecimento do que aconteceu no país, se passa a tratar dos problemas presentes já
pensando no futuro em uma melhoria na qualidade de vida. Apesar de ter muita divulgação, ainda requer mais conhecimento sobre o tema”, observa.O estudante Ritcharlyson Santos (à direita - azul) compartilha a ideia. “A escravidão é um tema antigo no Brasil e até hoje acontece, como tráfico de pessoas para trabalhar em carvoaria. Eu acho que isso é uma forma de alertar sobre o problema, pelos dados isso tem crescido no país, e é uma base para a gente conhecer mais sobre o assunto”.
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