Pesquisa aponta que mulheres estão mais suscetíveis ao câncer de boca
Em Sergipe são registrados quase 9 casos a cada cem mil habitantes
Cotidiano 10/08/2015 17h01

Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) desenvolveram estudos sobre fatores de risco do câncer de boca no estado, além dos fatores associados ao atraso do diagnóstico e ao tratamento dos pacientes. A doença é considerada um grave problema de saúde pública em todo país. Em Sergipe, são registrados aproximadamente 9,28 casos a cada cem mil habitantes, tornando assim, o maior índice com incidentes de câncer de boca do Nordeste.

Coordenada pelo professor Paulo Ricardo Saquete, a pesquisa iniciou em 2013, período que foram intensificados estudos com o financiamento da pesquisa pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec), através do edital Nº 13/2012 de Apoio e Desenvolvimento de Políticas Públicas no Estado de Sergipe (NAPs). O projeto busca atender uma demanda da Secretaria de Estado da Saúde (SES), com intuito de verificar os fatores que estão associados ao atraso do diagnóstico do câncer de boca, enfatizando o impacto na qualidade de vida dos pacientes que aguardam o tratamento oncológico.

De acordo com o professor, o estudo avalia o comportamento dos pacientes enquanto esperam pelo tratamento. “O problema é de extrema relevância já que o estado de Sergipe tem o maior índice de incidentes de câncer de boca do Nordeste, e é um dos maiores do Brasil. É justo que investigássemos isso para dar um retorno à sociedade em relação a esse problema”, relatou.

A pesquisa apontou que as mulheres estão fumando mais, e como consequência se tornam vítimas do câncer de boca. “Hoje percebemos uma mudança no perfil dos pacientes. As mulheres estão mais submetidas ao câncer de boca, decorrente do fumo. Outro fator é a alta exposição solar que pode desenvolver lesão pré-maligna de lábio causada pela exposição solar. Hoje também há indícios que o vírus do HPV vem se tornando uma ameaça, atuando na cavidade oral”, explica o professor Ricardo.

Durante o estudo, foi verificado que diversos domínios na qualidade de vida dos pacientes são afetados, como por exemplo, o domínio emocional, a angústia dos pacientes e seus familiares, os domínios físicos, as dificuldades financeiras. Além de tudo isso, o sexo masculino acaba atrasando mais no diagnóstico do que o sexo feminino, principalmente no caso de pessoas de baixa escolaridade.

Resultados

A partir da pesquisa, o estudante Breno Aragão desenvolveu uma dissertação sobre o assunto. A dissertação foi defendida na última sexta-feira, 31de julho, no Hospital Universitário. “É um tema relevante. Percebemos em vários trabalhos da literatura que os pacientes atrasam o diagnóstico e às vezes esse atraso não é só por conta do paciente, também do profissional e do próprio sistema de saúde. Acho que isso fez com que eu buscasse um tema como esse e investigasse o assunto”, explica.

Os pacientes que possuem pouco conhecimento sobre as lesões e fatores de risco do câncer de boca são os que mais atrasam o diagnóstico. Para o professor, é preciso o desenvolvimento de políticas públicas para esse tipo de público e campanhas educativas. Segundo o professor, também é necessário o acompanhamento psicológico, visto que os níveis de ansiedade e depressão aumentam nos pacientes que aguardam o tratamento.

Fatores de Risco

O câncer de boca tem como principal causa o fumo, pois aproximadamente 98% dos pacientes que desenvolveram a doença tinham histórico de tabagismo e geralmente aqueles que fumavam de 10 a 20 cigarros por dia. Segundo a pesquisa desenvolvida, a média de idade dos fumantes em Sergipe vai de 10 a 15 anos, ou seja, as pessoas começam a fumar logo no inicio da adolescência. Geralmente, essas pessoas são influenciadas pelos pais que também fumam, tornando o tabagismo um problema crônico. A média de idade das vitimas de câncer aqui no Estado é de 50 anos.

Prevenção

Existem medidas preventivas para não desenvolver o câncer de boca, como evitar o tabagismo, por ser o principal fator de risco, além de evitar o etilismo crônico, que é o consumo de bebidas alcoólicas, e a exposição crônica à radiação solar, utilizando protetores solar e chapéus.

Fonte: Agência Sergipe

Mais Notícias de Cotidiano
Pedro Ramos/Especial para o F5News
28/10/2021  09h31 A vida de quem não tem um lugar digno para morar em meio à pandemia
Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Foto: AAN/Reprodução
11/03/2021  18h30 Prefeitura realizará testes RT-PCR em assintomáticos no Soledade
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Foto: Agência Brasil/Reprodução
11/03/2021  17h30 Em dois novos editais, IBGE abre inscrições para 114 vagas em Sergipe
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Foto: SSP/SE/Reprodução
11/03/2021  16h10 Polícia prende suspeito de furtar prédio do antigo PAC do Siqueira
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Foto: SES
11/03/2021  16h10 Com aumento de casos, Sergipe teme falta de insumos hospitalares
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos