Pesquisa avalia o impacto da redução dos carboidratos em dietas
Estudo foi realizado dentro da comunidade universitária da UFS Cotidiano 11/06/2018 11h00 - Atualizado em 11/06/2018 11h09Dietas baseadas na crença de que comer muito carboidrato engorda e é ruim para a saúde são cada vez mais comuns. Um estudo realizado pela professora de Nutrição da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Raquel Simões Mendes Netto, avalia a eficiência de dietas e exercícios físicos para a correção da obesidade e sobrepeso mostrando os efeitos da redução do carboidrato em uma dieta.
No estudo “Programa perda de peso saudável: acompanhamento nutricional e de atividade física para indivíduos com excesso de peso”, foi desenvolvido um estudo clínico controlado e aleatorizado. A equipe desenvolveu a pesquisa dentro da comunidade universitária da UFS com professores técnicos e estudantes para poder acompanhar de fato as pessoas durante 12 semanas.
A pesquisa analisa quatro grupos: pessoas que consomem baixos níveis de carboidratos, e outro grupo sem redução de carboidratos, ambos subdivididos em dois grupos, os que praticam exercícios físicos de mesma intensidade, porem um sendo caminhada ou corrida e o outro com treinamento funcional.
Do ponto de vista bioquímico e da perda de peso, os resultados obtidos foram muito semelhantes, de quem baixou os níveis de carboidrato e de quem não. Os resultados do estudo mostram que o grupo de pessoas com baixo consumo de carboidratos não teve diferença se realizava corrida ou funcional, o impacto é exatamente o mesmo.
“A partir deste resultado, nós demonstramos que o importante é que a pessoa faça exercício físico, se ela passa a realizar atividade física de maneira regular e orientada como foi no caso do nosso estudo, ela consegue atingir a perda de peso e a redução de risco cardiovascular satisfatoriamente”, argumenta Raquel.
A professora Raquel explica que é importante saber que se uma pessoa está ganhando peso é porque está comendo acima do que precisa, e também porque está gastando menos energia. Se ela gasta mais energia e controla a alimentação, alcançará bons resultados, sem ter que suprimir um grupo de alimentos ou nutrientes.
Além de avaliar aspectos corporais, sanguíneos e físicos na parte da nutrição, o estudo revelou aspectos psicológicos importantes. A professora Raquel Simões exemplifica que pessoas com restrição maior de carboidratos na alimentação apresentou mais dificuldade em seguir a dieta, do que as pessoas que não estavam com restrição de carboidratos.
“As pessoas com baixo consumo de carboidratos tiveram mais problemas na adesão ao programa. E algumas pessoas começaram a buscar doce e comer sem antes ter esse comportamento, isto devido à falta de carboidratos e passaram a querer consumir carboidrato de qualquer jeito, pois este é essencial na nossa energia cerebral”, pontua a pesquisadora.
Raquel Simões avalia o projeto como muito importante porque o sobrepeso é um problema global, e hoje, são muitas as propostas divulgadas à comunidade e na maioria das vezes de forma irresponsável para as pessoas adotar dietas de ‘moda’ que consistem na redução de carboidratos da alimentação, e que não trazem benefícios para saúde.
A perspectiva é que o programa seja implementado e replicado em unidades de saúde, já que teve uma boa adesão dentro da UFS e também grande visibilidade fora da comunidade acadêmica. Além de gerar consciência nas pessoas que participaram do programa, vários nutricionistas externos se interessaram pelo projeto.
PPSUS
O projeto foi desenvolvido através do edital Programa de Pesquisa Para o Sistema único de Saúde (PPSUS), desenvolvido pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE).
Fonte: Fapitec/SE

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