Plantões noturnos de Cirurgia e Ortopedia serão suspensos no Ipesaúde
Cotidiano 28/04/2014 12h40

Por Fernanda Araujo

Agora está confirmado oficialmente: a partir do dia 1º de maio, próxima quinta-feira, serão suspensos os plantões noturnos das especialidades médicas de Cirurgia e Ortopedia no Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde), conforme decisão da presidência da instituição.Um comunicado assinado pelo diretor de assistência à saúde do Ipes, Thiago de Souza Santos, circulou pelas redes sociais e foi enviado à redação do F5 News com a informação. O F5 News entrou em contato com o médico e diretor do Ipesaúde que confirmou a notícia.

Segundo ele, a decisão foi tomada com base em um levantamento estatístico do número de atendimentos dessas especialidades realizado pela direção, para saber qual o custo benefício de se manter esse plantão. O diretor e médico Thiago Santos afirma que, nos últimos seis meses, há uma média de apenas dois atendimentos por noite - tanto na ortopedia quanto na cirurgia geral.

“Ou seja, o Ipes, nos últimos anos, vem gastando por noite R$ 2.400 para atender apenas quatro pacientes, já que cada profissional ganha R$ 1.200 por dia. Isso só de honorário médico, é como se cada consulta médica nesse horário saísse por R$ 2.400 dividido por quatro. Isso é muito bom para quem dá o plantão. Ganha de 19h às 7h, R$ 100 a hora para atender a dois pacientes”, explica, ressaltando que estes profissionais médicos não pertencem ao quadro de funcionários contratados pelo Ipes. Ele afirma ainda que a retirada desses plantões vai diminuir consideravelmente os custos para a instituição.

O diretor garante que a decisão vai resguardar o direito de atendimento do beneficiário. Para isso foi fechado um contrato com hospitais da rede privada para que possam atender a demanda da noite como o São Lucas, e, inclusive, o Cirurgia e Primavera, que farão atendimento ortopédico. Com isso, Thiago Santos esclarece que vai beneficiar o Ipes, acima de interesses pessoais, e ajudar a acabar com custos desnecessários. Se após avaliação do médico do plantão for solicitado que o paciente seja avaliado por um ortopedista, esse será removido pelo Ipes para os hospitais da capital contratados.

“Lá pago por atendimento, se não tiver nenhum, pago nada, se tiver quatro, que é a média, mesmo assim meu custo diminui em mais de 70%. Estamos otimizando a utilização de recurso. Agora, é obvio que têm pessoas que se sentem extremamente prejudicadas com essa atitude, que são aqueles profissionais que ganhavam muito para trabalhar pouco. Por exemplo, um desses profissionais ganha por mês R$ 35 mil só do Ipes. É uma decisão que acaba mexendo com privilégios de alguns”, critica.

Sobre os hospitais contratados, o diretor avalia que terão plenas condições de atender a demanda. “Por exemplo, dois pacientes para cirurgia, às vezes eles passam por uma avaliação clínica e não precisam ser avaliado pelo cirurgião. Ou, outro paciente com dor nas costas não precisa ser avaliado por um ortopedista, mas o médico manda porque tem lá. É muito provável que desses quatro pacientes, apenas um ou dois no máximo sejam removidos em uma noite”, acredita.

Imagem: internauta

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