Polícia ainda não sabe quem foi mandante do incêndio em Cristinápolis
Delegado vai pedir prisão preventiva de apenas três dos quatro acusados Cotidiano 25/02/2016 11h15Por Fernanda Araujo e Will Rodrigues
Quatro funcionários contratados da Prefeitura de Cristinápolis, suspeitos de incendiar o prédio da Câmara de Vereadores da cidade no último dia 12, foram indiciados pela Polícia Civil. Desiraldo Santos Silva, de 31 anos, o ‘Sinho’, Josivan de Jesus Santos, 34, conhecido como ‘Bolinho’, que trabalham no gabinete do secretário de Transportes da Prefeitura, e os vigilantes Israel Marciano do Nascimento, 28, e José Erivaldo Arruda de Sobral, o ‘Ero’, 31, são os acusados por cometer o crime no dia em que os vereadores votaram a cassação do prefeito Raimundo Leal.
A Polícia ainda não sabe quem foi o mandante do incêndio, já que os supostos envolvidos não revelam nem mesmo se foram pagos para cometer o crime. O delegado Paulo Cristiano Ricarte (foto) afirma que as investigações iniciaram no mesmo dia do crime, recolhendo imagens das câmeras de segurança do Banco do Estado de Sergipe (Banese) que fica ao lado da Câmara, no entanto, as imagens não foram conclusivas e, segundo Ricarte, não servem de prova e não podem ser divulgadas.
O crime aconteceu à 01h45, e a polícia chegou ao local por volta das 7h. Foi verificado que, dos cinco cômodos da Câmara, apenas dois foram atingidos pelas chamas, a área do arquivo e parte do corredor. “Então nós imaginamos que quem foi praticar esse crime de repente desistiu de continuar por algum motivo, talvez um acidente”, explica o delegado.Após recolher registros de entrada de queimados em unidades hospitalares da região e de alguns municípios sergipanos, e da Bahia, foi encontrado no Hospital de Urgência de Sergipe o José Erivaldo, natural de Cristinápolis, que sofreu queimaduras ao ter incendiado a Câmara. Além de ser vigilante de uma escola municipal, surpreendentemente, ele tem passagem pela polícia por tentativa de homicídio.
Ero foi interrogado pela polícia, enquanto estava internado em estado grave na Unidade de Tratamento de Queimados. Após ter dito à família que tinha sofrido acidente de moto e relutar em falar sobre o caso, o suspeito confessou como tudo aconteceu.
“Segundo narrou o Ero, ele se encontrava na sua casa quando o Sinho chegou por volta das 10h e 11h no dia anterior e o convidou para ir a um determinado lugar. De moto, sem placa, foi com o Sinho. Para se chegar até lá tem que passar ao lado da Câmara. Chegando lá já havia dois sujeitos em uma moto preta também sem placa, que estavam de posse de um galão com cinco litros de combustível. Lá foi dito ao Erivaldo que a missão era incendiar a Câmara. E ele aceitou”, conta Paulo Cristiano.
O crime
Bolinho, que tem passagem por danos, quebrou com uma pedra a porta de vidro para facilitar a entrada deles no prédio. Lá dentro, Ero e Sinho começaram a jogar cinco litros de combustível na cozinha, corredor e no arquivo. No entanto, José Erivaldo não percebeu que seu corpo estava molhado de gasolina e quando ateou fogo no prédio acabou se queimando gravemente. Com o acidente, eles desistiram de continuar a destruição e fugiram.
Sinho é motorista da Secretaria de Transporte do município e, segundo a polícia, há indícios de que os veículos utilizados são do local. O inquérito deve ser concluído até o dia 13 de março. O delegado não deve pedir quebra de sigilo telefônico, mas vai solicitar prisão preventiva de apenas três dos quatro acusados pelos crimes de incêndio criminoso e associação criminosa, exceto a de José Erivaldo.
“Acho que o estado atual de saúde dele é incompatível com a prisão cautelar. Num segundo momento vou analisar isso, pode ser que o representante do MP não interprete da mesma forma e já na denúncia peça a prisão, embora ele esteja acidentado. Mas isso vai ficar a critério do promotor de justiça”, concluiu o delegado Ricarte.
Foto: arquivo F5 News/internauta
Foto 2: Will Rodrigues/ F5 News

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