Prédios abandonados em Aracaju preocupam
Defesa Civil diz que monitora edificações, mas CREA adverte que "representam perigo constante"
Cotidiano 03/05/2018 12h30 - Atualizado em 03/05/2018 14h08

Por Fernanda Araujo

Após o incêndio e desabamento de um prédio no centro de São Paulo, cidades de todo o Brasil veem com preocupação os esqueletos de concreto. Embora haja em Aracaju o mapeamento oficial sobre as condições estruturais dos imóveis, alguns clássicos exemplos expõem o problema do abandono de edificações, como a antiga sede do INSS, o Hotel Palace e o Casarão do Parque - todos na região central da capital sergipana, por onde circulam milhares de pessoas diariamente.

Um dos mais antigos é o Hotel Palace (foto), há mais de 20 anos lacrado. No entanto, apesar da interdição, o térreo e o primeiro andar da edificação ainda são utilizados livremente por comerciantes na área. Rebocos e pastilhas soltas, ferragens expostas e enferrujadas, rachaduras e até fiação elétrica clandestina compõem atualmente o ambiente do prédio que teve seu auge em 1962, considerado a época o hotel mais moderno e luxuoso da capital.

Não longe da mesma realidade está a antiga sede do INSS, interditada há cinco anos e que chegou a ir a leilão três vezes, até agora sem arremate.

Para o Conselho de Engenharia e Agronomia de Sergipe (CREA), essas edificações abandonadas representam um perigo constante à sociedade, conforme laudos feitos pela instituição.

“Tem que dar um destino final, não é leiloar e passar o problema para outros proprietários. A interdição foi feita, mas não resolve o problema em si. É necessário pensar na demolição ou na recuperação de toda a sua estrutura”, disse o presidente do CREA, Arício Resende, em entrevista à TV Sergipe, ressaltando que um laudo sobre o Hotel Palace solicitado pela Secretaria Estadual do Turismo em junho passado deve ser concluído em 15 dias. 

Em nota, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Defesa Civil, afirma que uma vistoria no Hotel Palace foi realizada em agosto passado e o laudo, enviado a todos os órgãos, constatou problemas e providências a serem tomadas como retirada de revestimentos e esquadrias, no entanto, não verificou risco de desabamento da estrutura. Porém, a Defesa Civil deve realizar nova vistoria.

De acordo com a nota, o primeiro andar e o térreo do prédio “pertencem a particulares”. Já os demais estão isolados e foram retirados materiais combustíveis,  como piso em madeira, para dificultar possível incêndio. O trigésimo e 13º andares pertencem ao Estado, já o segundo é da Superintendência do Patrimônio da União (SPU).

Conforme a PMA, uma decisão judicial de 13 de abril deste ano definiu pela reforma e revitalização do edifício pela Emsetur e demais indicados. "Ao município cabe o trabalho de fiscalização e adoção de medidas administrativas cabíveis, conforme já vem sendo realizado”, afirma.

Ainda segundo a prefeitura, o mapeamento da área central dá conta de 112 quadras, sendo cinco delas ocupadas por praças. Na região foram identificados 3.700 imóveis, dos quais 2.220 já foram vistoriados pela Defesa Civil de Aracaju.

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