Prefeitura e Defensoria tentam fazer novo cadastro no Casarão do Parque
Cotidiano 21/07/2014 11h14

Por Elisângela Valença

Aconteceu na manhã de hoje (21) mais uma tentativa de cadastro das famílias que ocuparam o Edifício Casarão do Parque, no Centro de Aracaju (SE). Cerca de 300 famílias ocuparam o prédio em 5 de maio de 2013, depois que foram desalojadas das casas que haviam invadido no bairro 17 de Março, na Zona de Expansão de Aracaju.

O Casarão do Parque está fechado há muitos anos por problemas estruturais que impedem seu uso e o proprietário solicitou a reintegração de posse. Mesmo sabendo dos riscos, as famílias ocuparam o espaço. “Limpamos tudo e colocamos água e energia. Infelizmente, não temos o que fazer. Não temos onde morar e por isso viemos para cá”, disse Maria Eulina Santos, uma das coordenadoras do Movimento dos Sem Casa.

As equipes da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas) e da Defensoria Pública de Sergipe foram recebidas com água suja atirada de um dos andares do prédio. Logo que os ânimos se acalmaram, as equipes conseguiram conversar com lideranças e organizar a entrada para início do cadastro.

A todo instante chegavam pessoas no prédio. Umas voltavam do trabalho, outras chegavam de táxi, mototáxi, a pé, mas não disseram de onde vinham. Depois que as equipes entraram, o portão do prédio foi fechado. “Só entra quem tiver o nome na lista”, disse o homem que controlava o acesso.

A lista a que ele se referia era a de moradores do local. Somente quem estava nesta lista seria cadastrado pela prefeitura para ser encaminhado para o auxílio-moradia e/ou moradia popular.

Logo que o portão se fechou, ondas de reclamações surgiam à chegada de mais pessoas. “Ligaram para eu vir e agora que eu chego você não quer me deixar entrar?”, questionou um rapaz que não quis se identificar. Cada pessoa barrada iniciava uma série de telefonemas. Umas conseguiam entrar depois; outras, não.

Uma mulher, sem identificar que se tratava de uma cobertura jornalística, veio até a equipe de F5News perguntar se iam cadastrar novas pessoas. “Minha cunhada que mora aqui. Ela morava numa casa alugada na Coroa do Meio. Soube da ocupação e veio para cá, porque todo mundo acaba conseguindo casa. Eu moro de aluguel também no Santa Teresa e queria uma casinha. Ela disse para eu vir para cá e ver com a líder se pode encaixar meu nome”, disse a senhora, que não quis se identificar.

As equipes da Prefeitura de Aracaju e da Defensoria Pública continuam trabalhando no levantamento das famílias. “Já identificamos que tem famílias que são de outras cidades e até de outros Estados. Como somos da Prefeitura, vamos trabalhar com as famílias daqui. A partir daí, faremos os encaminhamentos cabíveis”, disse Virgínia Rabelo, diretora de Habitação da Semfas.

Matérias relacionadas

Técnicos da Defesa Civil são impedidos de vistoriar o Casarão do Parque

Desabrigados invadem edifício abandonado no Centro de Aracaju

Prefeitura recorre decisão de retirada de famílias de prédio

 

 

Mais Notícias de Cotidiano
Pedro Ramos/Especial para o F5News
28/10/2021  09h31 A vida de quem não tem um lugar digno para morar em meio à pandemia
Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Foto: AAN/Reprodução
11/03/2021  18h30 Prefeitura realizará testes RT-PCR em assintomáticos no Soledade
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Foto: Agência Brasil/Reprodução
11/03/2021  17h30 Em dois novos editais, IBGE abre inscrições para 114 vagas em Sergipe
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Foto: SSP/SE/Reprodução
11/03/2021  16h10 Polícia prende suspeito de furtar prédio do antigo PAC do Siqueira
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Foto: SES
11/03/2021  16h10 Com aumento de casos, Sergipe teme falta de insumos hospitalares
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos