Presos se rebelam e espancam colegas de cela na 10º DM em Aracaju
Em meio ao caos, detentos são transferidos para o Cope Cotidiano 06/08/2015 12h37Por Fernanda Araujo
Cerca de 57 presos iniciaram uma rebelião no início da manhã desta quinta-feira (06) por conta da suspensão das visitas e da superlotação. Os presos custodiados na 10º DM, no bairro Jardim Centenário, próximo ao conjunto Bugio, zona Norte de Aracaju, fizeram uma grande bagunça, derrubaram grades de celas e tentaram fugir por um buraco na parede aberto por eles. Dois conseguiram sair e subiram no telhado, mas foram rapidamente recapturados pelos policias.
Antes da rebelião ter começado havia três policiais e o chefe da custódia. Os presos ainda agrediram dois outros colegas de cela, que segundo F5 News apurou seriam acusados de estupro. A ambulância do Samu foi acionada para atender três presos que ficaram feridos. As equipes do Grupamento Especial de Repressão e Busca (Gerb) e do Grupo Especial Tático de Motos (Getam) conseguiram controlar a situação por volta das 08h.
As celas tem capacidade para apenas 12 presos e é menos de um metro quadrado. O F5 News teve acesso à área de custódia e constatou celas escuras, sujas e em péssimas condições de permanência.
Um posto de saúde e uma escola estadual, que ficam próximas à delegacia, suspenderam as atividades por conta da ação, os alunos se aglomeraram em frente à DM. O 8º Batalhão da Polícia Militar também foi acionado, a PM conteve os curiosos para evitar tumulto. A Tropa de Choque chegou a ir ao local, mas não houve necessidade de agir e voltou para a base.
Ao repórter Alex Carvalho, do programa da Ilha, o líder comunitário do Bugio, senhor Aragão, disse que já esperava pela rebelião. “Já teve uma rebelião aqui na semana passada, eu chamei a atenção de que isso ia explodir a qualquer momento, mas ninguém quis me ouvir. Isso não é culpa dos policiais, é culpa é do governador do Estado de Sergipe”, acusa.
Segundo o delegado geral da SSP, Everton Santos, não há lugar para transferência dos presos. Os custodiados foram levados para o Complexo de Operações Especiais (Cope) para ficar provisoriamente até o final do dia de hoje. “Vamos corrigir o que foi danificado e retorná-los para o mesmo xadrez”, disse.O delegado geral afirma que a situação de superlotação nas delegacias e de possível rebeliões já foi exposta para a Secretaria de Justiça há mais de 60 dias, porém, nada foi feito. “Não faltou planejamento da SSP, o problema hoje é da Secretaria de Justiça. Os presos devem permanecer dentro da delegacia enquanto servir a investigação, depois tem que ser remetido para o sistema prisional. Lá é que vai ter visita íntima, psicólogo, aqui não, ele fica trancafiado e a única coisa que pensa é em fugir”, relata.
“Qualquer delegacia que tem mais de 30, 40, 50 presos, obviamente que ficamos vulneráveis a isso. Nós temos uma responsabilidade com o povo, nós vamos continuar prendendo, mantendo custodiados, agora se não houver uma solução urgente, obviamente, outras rebeliões vão acontecer. Nós temos a equipe de pronto emprego, do Gerb, a PM tem uma unidade no Bugio que deve levar cinco a sete minutos para chegar. Temos o pessoal de contenção imediata das delegacias, com dois, três servidores exatamente apenas para dar o alarme para que as equipes cheguem”, explica Everton Santos.
Greve
Os policiais civis estão em greve há quatro dias e começaram ontem a realizar vistorias em delegacias. As visitas estão suspensas. O presidente do Sinpol, João Alexandre, esteve na 10º DM.“Nas delegacias estamos orientando os policiais que estão submetidos a esse risco constante a esse absurdo que é substituição de presídios por delegacia. É inconcebível ressocializar qualquer pessoa custodiada no interior de uma delegacia. Estamos pedindo que preserve a segurança dos policiais e assim também dos familiares”, afirma.
O policial conta que há em média 70 presos custodiados nas delegacias em Sergipe. “Não deveria ter nem visitas. A Polícia Civil está custodiando em média 600 presos no total. Se existe alguém que está maculando o direito dos presos ou dos familiares é o próprio Estado que permite que isso perdure por muito tempo”, diz.
Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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